Às vezes dou por mim cheia de saudades dos anos 90.
Talvez porque era mais nova. Talvez porque a vida parecia mais leve. Talvez porque havia uma felicidade mais simples, menos complicada e menos cansada.
Mas acho que, acima de tudo, tenho saudades da liberdade que existia naquela altura.
É curioso pensar nisso hoje, porque teoricamente temos mais liberdade do que nunca. Um telemóvel permite-nos falar com qualquer pessoa a qualquer hora, trabalhar em qualquer lugar, ver séries, jogar, ler, ouvir música, aprender coisas novas. Temos tudo na mão.
E ao mesmo tempo… somos reféns disso tudo.
Das notificações. Das apps. Das mensagens. Dos jogos. Dos vídeos. Dos doramas “só mais um episódio”. Das redes sociais onde vamos “só cinco minutos” e quando damos conta passou uma hora.
E digo isto sem crítica absoluta, porque eu própria gosto dessas coisas. Gosto de ver séries, jogar, ler no telemóvel, descobrir conteúdos novos. A tecnologia trouxe coisas boas e seria hipócrita fingir que não.
Mas sinto falta daquela paz antiga.
Da sensação de chegar a casa e o mundo ficar lá fora. De não existir a obrigação de responder imediatamente. De ninguém esperar disponibilidade constante.
Sinto saudades da época em que bastava tirar o auscultador do telefone para não haver forma de sermos contactados.
Hoje isso parece quase impossível. Mesmo quando queremos descansar, o telemóvel continua ali. A piscar. A chamar. A lembrar-nos de mensagens por responder, notícias por ver, vídeos por terminar, tarefas por fazer.
Nos anos 90 havia mais silêncio. Mais tempo morto. Mais momentos em que simplesmente existíamos sem estar constantemente ligados a alguma coisa.
Talvez fosse uma ilusão de infância. Talvez a vida adulta também pese nessa comparação. Mas continuo a acreditar que naquela altura havia uma tranquilidade que hoje se perdeu pelo caminho.
E às vezes tenho saudades disso. Muitas saudades.