sexta-feira, 17 de abril de 2026

A curiosidade nunca trás boas notícias

O que parecia ser uma rotina normal de trabalho — arquivar documentos — acabou por revelar uma realidade que nunca tinha imaginado. Enquanto organizava os papéis na pasta de Fevereiro, deparei-me, por acaso, com alguns recibos de vencimento. Bastou um olhar mais atento para perceber que havia ali algo que não batia certo. E o mais surpreendente nem foi a descoberta em si, mas o impacto que ela teve.

Nunca perguntei a ninguém quanto ganhava. Não foi curiosidade ativa — foi puro acaso.

Falamos de uma associação ligada à área da construção — um setor ainda amplamente dominado por homens, um verdadeiro “mundo de homens”. Talvez por isso, certas mentalidades continuem enraizadas. Numa altura em que tanto se fala de igualdade, ainda há quem use expressões como “quem é o homem da casa”, como se isso definisse valor, responsabilidade ou até merecimento.



Até poderia compreender que, no ano passado, o meu aumento tivesse sido de apenas 100€, enquanto outros receberam 150€, por ter sido o meu primeiro ano. Mas este ano já não há explicação tão simples: tanto eu como a minha colega fomos aumentadas em 50€, enquanto os nossos colegas homens receberam aumentos de 100€.

E, às vezes, os números falam por si.

1 comentário:

  1. A teia dos 20 mais x17 de abril de 2026 às 16:11

    Aí que tema que dá pano para mangas este...

    e logo eu, que posso falar tanto e dar tantos exemplos. Na área de que sou. Mas pronto...

    É injusto? é, até porque se formos a ver as mulheres até trabalham mais ou têm um acumulo de funções bem superior.

    Isto dá-me uns nervos.

    Mas depois também somos mais organizadas com o dinheiro, poupamos mais, mas será que está ligado a isso? à raiz de se receber menos? ...pois.

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