Quando ouvimos uma notícia sobre um acidente, normalmente reagimos com um “coitado”, “que tristeza”, ficamos alguns minutos a pensar naquilo e depois continuamos o nosso dia.
Mas será que sou só eu que sinto que tudo muda quando descobrimos que a pessoa que sofreu o acidente é alguém que conhecemos?
De repente, já não é apenas uma notícia.
Passa a ter um nome, um rosto, uma família, uma história. E aquilo que antes parecia distante torna-se demasiado próximo.
Começamos a pensar na pessoa, no que estará a sentir, na família, no momento em que tudo aconteceu, no que poderá acontecer daqui para a frente… E damos por nós a procurar mais informações, a pensar naquela pessoa durante o dia e até a imaginar como estará a família a viver aquele momento.
É estranho como o nosso cérebro e o nosso coração funcionam.
Quando não conhecemos a pessoa, conseguimos manter uma certa distância. Sentimos pena, ficamos tristes, mas conseguimos seguir em frente. Quando conhecemos, mesmo que não sejamos próximos, essa distância desaparece.
E talvez seja aí que percebemos que, por trás de cada notícia de acidente, existe muito mais do que aquilo que aparece nas poucas linhas de uma notícia. Existe uma vida, uma família, sonhos, planos e pessoas que, de um momento para o outro, podem ver tudo mudar.
E inevitavelmente surge aquele pensamento que ninguém gosta de ter:
“Podia ter acontecido comigo. Podia ter acontecido a alguém que amo.”
Talvez seja isso que torna tudo tão diferente.
Nos últimos dias, dei por mim a sentir precisamente isto. Uma notícia que, noutra circunstância, provavelmente teria lido com tristeza e depois seguido com o meu dia, desta vez ficou comigo. Porque conheço a pessoa. Porque sei quem é. Porque tem nome e rosto.
E percebi que talvez não seja apenas a gravidade do acidente que determina aquilo que sentimos. É também a proximidade que temos com quem está envolvido.
Quando a tragédia deixa de ser “a tragédia de alguém” e passa a ser “a tragédia de alguém que conhecemos”, parece que o mundo fica um bocadinho mais pequeno.
Sou só eu que sinto isto?
Confesso que nunca tinha refletido sobre isto...
ResponderEliminarMas tem toda a razão, quando de facto a pessoa da noticia, tem nome, rosto, e uma história que conhecemos o peso é bem maior...