Hoje estava para aqui a conversar sobre informática e dei por mim a viajar até 1995.
Naquela altura estava na universidade, em Informática de Gestão. Aprendi HTML, Pascal, COBOL, programação em binário e outras coisas que hoje parecem saídas de um museu.
O meu primeiro e-mail, por exemplo, valeu 5% de uma nota. Sim, leram bem: 5% simplesmente porque consegui enviar um e-mail para um professor. Foi o primeiro de milhares que haveria de enviar nos 30 anos seguintes.
E depois havia as disquetes. Aquelas maravilhosas de 1,44 MB que hoje dariam vontade de rir, mas que na altura eram tecnologia de ponta.
No primeiro sítio onde trabalhei, rapidamente percebi que saber informática podia ser uma enorme vantagem. Não porque eu fosse uma especialista extraordinária...
Mas porque havia pessoas que nem sabiam como aceder a uma disquete. 😂
E lembro-me de uma situação que ficou na memória. O computador mostrava:
“Keyboard not detected.”
Para mim era bastante simples: o computador não estava a detectar o teclado.
A solução? Verificar o cabo.
Para outras pessoas, aparentemente, aquilo era um problema informático de proporções gigantescas. 😂
E lá ia eu verificar a parte de trás do computador para descobrir que, surpresa das surpresas, o cabo do teclado pura e simplesmente não estava ligado à porta.
Hoje isto parece ridículo, mas naquela época nem toda a gente tinha crescido rodeada de computadores.
E talvez seja essa uma das diferenças entre a minha geração e quem tem agora 20 anos.
Nós vimos a tecnologia aparecer e evoluir.
Passámos das disquetes para os CDs, DVDs, pens, discos externos, cartões de memória, smartphones, cloud... e agora inteligência artificial.
Aprendemos a procurar informação em enciclopédias e bibliotecas antes de existir a Wikipédia. Aprendemos programação quando ainda era preciso escrever código e não simplesmente pedir a uma IA para fazer qualquer coisa.
Por isso, quando alguém fala em “farmar aura”, eu penso que nós já farmávamos era conhecimento. 😂
Queríamos saber alguma coisa? Íamos à biblioteca, procurávamos numa enciclopédia, líamos, tirávamos apontamentos e depois tentávamos perceber se aquilo realmente respondia ao que precisávamos.
Hoje escrevemos uma pergunta e, em milissegundos, temos milhares de resultados.
É incrível.
Mas há uma coisa ainda mais incrível: eu vivi essa mudança.
E talvez seja por isso que, quando começo a falar destas coisas, aparecem memórias que nem sabia que ainda estavam guardadas.
Uma disquete lembra-me outra coisa.
Um e-mail lembra-me a universidade.
O “Keyboard not detected” lembra-me o primeiro trabalho.
E de repente estou aqui, 30 anos depois, a conversar com uma inteligência artificial sobre tudo isto.
Afinal, talvez os 48 anos não sejam assim tantos.
São apenas 48 anos de atualizações instaladas. Algumas ainda em Pascal. 😂