Eu tenho boa memória. Aliás, tenho muito boa memória.
Lembro-me de coisas que aconteceram há anos, de conversas, pessoas, datas, situações e pormenores que provavelmente já não interessam a ninguém… e por vezes até eu gostaria de esquecer.
Mas há uma diferença entre conseguir lembrar-me de uma coisa e achar que vale a pena ocupar memória com essa coisa.
E é aí que entram as listas.
Eu não faço listas porque me esqueço. Faço listas porque não quero gastar espaço mental com informação que pode perfeitamente estar escrita algures.
É uma espécie de outsourcing da memória. 😂
Quanto pesava o meu filho aos 4 meses?
Eu sei que tenho essa informação.
Onde?
No Boletim do Centro de Saúde e numa folha de Excel, com datas, pesos e, se não me engano, até um gráfico.
Se um dia alguém me perguntar:
— Quanto pesava o teu filho aos quatro meses?
Não quero que o meu cérebro comece a vasculhar memórias antigas à procura da resposta.
Abro o Excel e lá está:
Peso aos 4 meses: X kg.
Problema resolvido.
E, aparentemente, até o crescimento de uma criança merece uma análise de dados. 😂
Quanto custou aquela máquina?
Também está registado.
Data, preço, onde comprei e, se for caso disso, garantia.
Porque daqui a três anos posso olhar para determinada máquina e pensar:
“Quanto é que eu dei por isto?”
Não vou gastar 15 minutos a reconstruir mentalmente a compra. Consulto a lista.
E quando acaba a garantia?
Também está lá.
Máquina X — comprada em determinada data — garantia até determinada data.
A minha memória agradece.
Aniversários?
Também tenho lista.
E aqui está a parte engraçada:
Eu sei os aniversários de cor.
A lista não existe porque precise dela para me lembrar. Existe porque gosto de ter a informação organizada.
É como ter um arquivo.
Eu sei, mas também está escrito.
Presentes dados, recebidos e comprados para ter em stock
Tudo merece a sua lista.
Encontro uma coisa gira, útil ou barata e penso:
“Isto vai dar jeito para alguém.”
Compro, guardo e registo.
Quando chega o momento certo, tenho presentes disponíveis e não preciso de andar à procura de qualquer coisa à pressa.
E, principalmente, não corro o risco de oferecer duas vezes a mesma coisa.
Embora, com tanta informação registada, se isso acontecer já será por falta de atenção e não por falta de informação. 😂
Livros e filmes
Livros lidos: lista.
Livros que quero ler: lista.
Livros que comprei e ainda não li: essa é melhor não aprofundarmos. 😂
Filmes vistos também tiveram direito a lista.
Tiveram.
Neste momento está tão desatualizada que já deve poder ser considerada documento histórico, mas continua algures numa pasta chamada “Filmes”.
Um dia trato disso.
Talvez.
Frigorífico, arca e despensa
Aqui entramos na gestão de stock doméstico.
Não gosto de comprar uma coisa que já tenho. Muito menos descobrir, depois de comprar, que tinha três.
E pior ainda: descobrir que tinha três porque as comprei três vezes. 😂
Por isso, saber o que existe em casa, o que está a acabar, as validades e o que convém consumir primeiro também merece uma lista.
Não é obsessão.
É logística.
Coisas para comprar
Outra lista.
E esta tem uma vantagem especial: ajuda-me a não comprar aquilo de que não preciso.
Uma coisa passa-me pela cabeça → vai para a lista → penso → comparo → espero.
E, muitas vezes, quando volto à lista já nem percebo porque raio achei que precisava daquilo.
Excelente.
Menos uma compra.
Sítios que quero visitar
Também tenho uma lista que provavelmente nunca conseguirei terminar.
Passadiços, aldeias, praias, cascatas, miradouros, restaurantes e aqueles sítios que alguém publica e imediatamente pensamos:
“Tenho de ir aqui!”
Vai para a lista, depois aparece outro, e outro, e outro. Quando chega aquele fim de semana em que pensamos “vamos mas é sair daqui”, não precisamos de começar do zero, vamos à lista.
E há listas para tudo
Coisas para fazer, comprar, reparar, organizar, experimentar, pesquisar…
Ideias para o blogue.
Presentes.
Compras.
Stock.
Livros.
Filmes.
Sítios a visitar.
Garantias.
Preços.
E provavelmente até há informação suficiente para justificar uma lista das próprias listas. 😂
Porque é que faço isto? Porque as listas permitem-me tirar informação da cabeça sem a perder.
E é exatamente isso que quero. Não quero lembrar-me de tudo. Quero lembrar-me do que interessa e saber onde encontrar o resto.
A minha cabeça não é um armazém. É mais um processador.
Para quê ocupá-la com:
“Quanto custou a máquina de lavar?”
“Quando acaba a garantia do aspirador?”
“Que presente dei àquela pessoa em 2019?”
“Quanto pesava o miúdo aos quatro meses?”
“O que tenho na arca?”
“Qual era aquele sítio que queria visitar?”
Se posso ter isso escrito numa folha de Excel ou numa lista?
Não é falta de memória. É gestão de memória.
E se alguém me perguntar:
— “Mas não te cansas de fazer listas para tudo?”
Não.
Canso-me é de procurar uma informação que eu sei perfeitamente que está numa lista qualquer… só não me lembro em qual. 😂






















