Há sons que ficam gravados na memória coletiva de uma cidade. Em Leiria, nos últimos meses, um desses sons tem sido o das sirenes dos bombeiros a cortar o silêncio da noite e das manhãs cinzentas. E agora voltámos a ouvi-las. Outra vez.
Não dá sequer para perceber, à distância, o que aconteceu desta vez. Será o rio que voltou a subir? Mais árvores caídas? Estradas cortadas? Inundações? Há uma sensação estranha de repetição, como se o inverno nunca tivesse realmente ido embora.
Ainda Leiria tentava recuperar da tempestade de há três meses e meio — dos prejuízos, dos estragos, das limpezas intermináveis, das casas afetadas, dos parques destruídos e das infraestruturas danificadas — e já nos vemos novamente perante dias de chuva intensa, vento forte e alertas constantes.
Há zonas onde ainda se notam os sinais da última tempestade. Árvores fragilizadas, caminhos improvisados, zonas verdes que nunca voltaram ao normal. E talvez o mais pesado não seja apenas o que ficou destruído, mas o desgaste emocional de sentir que mal houve tempo para respirar antes de começar tudo outra vez.
Os bombeiros voltam a ser presença constante. Homens e mulheres que, independentemente da hora, continuam a responder a cada ocorrência, muitas vezes em condições difíceis e com recursos limitados. São eles que ouvimos passar vezes sem conta, enquanto tentamos perceber se o pior já passou ou se ainda está para vir.
E no meio disto tudo, cresce também uma reflexão inevitável: estaremos preparados para fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes e intensos? Porque aquilo que antes parecia excecional começa lentamente a tornar-se rotina.
Leiria conhece bem a força da água, do vento e das cheias. Mas também conhece a força das pessoas que ajudam, limpam, reconstruem e seguem em frente. Ainda assim, custa sentir que a cidade mal teve tempo para sarar antes de voltar a enfrentar mais um episódio de mau tempo.
Esperemos que desta vez os danos sejam menores. E que, em breve, o único som constante nas ruas volte a ser o da normalidade.
Por aqui chove há já vários dias
ResponderEliminare esta noite trovejou e bem, mas não há problemas de maior
só as Cerejas e outras culturas da época vão levar rombo.
E sendo o que é, há que prevenir o possível e reerguer de novo.
Bela terça e boas Semana pra vocês, que tudo vá bem.
Beijinhos.
Não creio que se esteja preparado para repetições, não mesmo...
ResponderEliminarSe a tempestade de Janeiro já foi à 4 meses e ainda há zonas (bem longe do centro da tempestade), sem manutenção de estradas, levantamento/corte de árvores, postes caídos, infraestruturas sem funcionar... não se está, não se está mesmo preparado.
Pelo menos aí ainda ouvem os bombeiros... é sinal que alguma coisa se está a fazer... por aqui? zero.
Mas uma coisa é certa, que cada vez será mais frequente este tipo de "fenômenos" aí sim, será.