Há alturas em que o tempo parece ter vontade própria — e não falo apenas do que passa nos relógios, mas daquele que manda no céu, no vento e na chuva. Esse tempo, que tantas vezes dita o ritmo de quem vive ligado à terra.
A Depressão Kristin passou com força, como tantas outras tempestades de inverno, e deixou marcas nos pinhais e nos terrenos. Árvores arrancadas pela raiz, outras partidas a meio, muitas tombadas no chão. Um cenário que quem trabalha com a floresta conhece bem: quando o vento leva a melhor, o trabalho multiplica-se.
Mas depois da tempestade vem outra luta — a de esperar.
Já passou cerca de um mês e meio e, olhando para os terrenos, parece que quase tudo ficou na mesma. Não por falta de vontade de trabalhar, mas porque o tempo não tem ajudado. A chuva insiste em cair, os caminhos ficam pesados, os terrenos encharcados. Ir cortar e transportar madeira assim torna-se difícil, muitas vezes impossível. Não é apenas uma questão de esforço; é também de segurança e de conseguir fazer o trabalho como deve ser.
Enquanto os pinhais esperam por dias mais secos, o trabalho continua em casa. Há sempre lenha para arrumar, troncos para cortar, pedaços que estavam guardados à espera de melhores dias — talvez da primavera — para serem tratados com mais calma. Agora vão sendo preparados, serrados e organizados.
É um trabalho que também exige tempo e paciência. Cada pedaço de madeira arrumado é uma pequena forma de preparar o que vem a seguir.Porque quando o tempo finalmente ajudar — quando o sol secar os caminhos e os tratores puderem entrar sem medo de atolar — então será altura de voltar aos pinhais. Cortar o que ficou por tratar, transportar as árvores que ainda estão espalhadas pelo chão e trazer essa madeira para o seu lugar.
E aí, a lenha que agora se arruma em casa dará lugar à que ainda espera lá fora.
No fundo, quem vive ligado à terra aprende cedo uma lição simples: há coisas que dependem de nós… e outras que dependem do tempo. E quando o tempo não ajuda, resta continuar a fazer o que é possível, preparando o caminho para quando ele finalmente decidir colaborar.
Porque na floresta, como na vida, tudo tem o seu tempo. 🌲






















