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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Kristin - Depressão ou Furacão???


Hoje regressei ao trabalho, em casa estou há 132 horas sem luz, rede, comunicações, apenas as sms começaram a chegar ontem ao fim do dia com dias de atraso.

Lá por casa voou um telhado/cobertura da zona dos carros e uma telha de acabamento do telhado da casa, contamos com uns 3000€ de arranjo mas temos de aguardar que haja matéria-prima para podermos reparar, para já colocámos um oleado e felizmente não estava nenhum carro debaixo daquela parte do telhado, nos terrenos dezenas e dezenas de árvores caíram (até agora contamos 40 e ainda não fomos aos pinhais propriamente ditos porque não é seguro).


3:30 de 28/01, o vento começou a fazer-se sentir com mais intensidade às 3:35, por volta das 4:00 era tão intenso que as tampas das caixas de estores batiam contra o cimento, parecia que eram as telhas a arrancar-se do telhado, às 5:19 começou a afastar-se e acalmou. Ás 6:30 levantei-me e a primeira coisa que noto é que faltava o telhado na zona do estacionamento da carrinha, como ainda era de noite nem me apercebi que tinha caído para o terreno do meu sogro, Infelizmente não dava para pegar e voltar a colocar no sítio pois ele rodou e não havia forma de o voltar a rodar, se só tivesse sido arrastado conseguíamos colocar quase sem estragos, assim terá de ser tudo novo.

Saí de casa às 8:00 e fui ou melhor tentei ir trabalhar, demorei 1:17 horas a chegar a Leiria (normalmente demoro 30 minutos) parecia o fim do mundo como devem ter visto, eu só sei o que vi, porque tv e internet ainda não há, demorei mais 1:15 a chegar a casa, ainda estive 30 minutos no local de trabalho mas sem luz não podia fazer nada, os colegas nem apareceram. 

Nunca pensei passar com o carro por cima de cabos elétricos mas teve de ser...nunca tal vi e nunca senti tanto receio de conduzir, pois fiz rotundas em contra-mão e andei demasiados quilómetros na faixa contrária. Gastei meio depósito nas cerca de 2,5 horas de viagem, tal era o pára-arranca, em vez de 36 km fiz mais de 50 km e bombas de combustível já não havia mas cheguei sã e salva a casa.

Deixei o carro em casa e fui saber da minha mãe, na casa não teve estragos mas caíram algumas árvores e fui ajudá-la a cortá-las para não estragarem as chapas e redes dos vizinhos, felizmente eram árvores pequenas e não estragaram nada.

O meu filho tentou ir para Coimbra mas a polícia não o deixou passar de Leiria para a frente e 3 exames ficaram por fazer, em Julho ou Setembro vai tentar fazê-los senão só para o ano que vem. Também chegou bem a casa e isso é o mais importante.

O meu marido andou a cortar as árvores da estrada principal até acabar a gasolina do moto-serra, senão ninguém podia sair da nossa aldeia, pois havia árvores em todas as saídas, entretanto quando foi fazer mais uma viagem a carrinha ficou sem gasóleo pois com o stress nem se lembrou que tinha pouco e bombas de combustível? Pois, não havia, só no dia seguinte, depois de 1:30 numa fila a quase 10 km de casa, pois primeiro pagava-se a dinheiro e só depois se podia abastecer e se quiséssemos gasóleo e gasolina (que era o que todos estavam a fazer) tínhamos de ir duas vezes pagar e só depois abastecer, conseguimos gasolina e gasóleo. De seguida fui até São Jorge e fui carregar os telemóveis (que serviram de lanterna na quarta-feira) na casa-de-banho do Continente... enquanto o marido foi comprar algumas pilhas, pão e chouriços para grelhar.

Entretanto o meu stress era a arca congeladora e o congelador do frigorífico, sem luz há mais de 36 horas valeu-nos o gerador que o meu sogro usa para a apanha da azeitona, que ele nem sabia que podia usar em casa, ficámos com ele umas horas na quinta à noite e sexta de manhã e às 9 fomos montá-lo a casa dele, no sábado à noite voltou para a nossa casa e está lá agora pois o meu sogro já tem luz desde ontem de manhã (outra linha da rede elétrica)

Na sexta voltamos a fazer os mesmos 20 km (ir e vir) que tínhamos feito para ter combustível, para ter rede para o meu filho se poder inscrever nas aulas do segundo semestre. Parece surreal mas a verdade é que continuamos como estávamos há 6 dias, sem luz, sem rede, sem net, nem as notícias conseguimos saber. 

No meio de tudo, felizmente tenho uma placa a gás na cave e uma lareira, entre grelhados na brasa e racionamento de refeições feitas na placa a gás (pois já não há botijas na zona) vamos vivendo (a previsão é haver luz até ao final do mês...mas até lá ...)

Se houve algo que o apagão de há 9 meses ensinou foi: ter dinheiro em casa para uma situação de urgência e ter um fogão a gás...falhámos em não ter um gerador ou uma bateria ligada aos painéis mas são despesas avultadas e têm de ser muito bem pensadas.

O filhote entretanto ontem foi para Coimbra e disse que até 10 km de Coimbra parece o fim do mundo, daí para a frente não se passou nada, tem luz, net, rede, água, gás, tudo tranquilo como noutra semana qualquer. Pelo menos ele está bem e tem tudo para os próximos dias, inclusive mandei comida a mais para se tiver de ficar para a próxima semana (ele tem fogão, frigorífico, micro-ondas, etc) e para além de 8 taças de comida que mandei e das refeições que pode fazer na ESAC, ainda tem cotovelinhos, espirais, esparguete, arroz, latas de pota, atum, salsichas e meia dúzia de ovos para poder fazer mais comida. Fome não passa.

Como foi pelas vossas terras?