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quarta-feira, 17 de junho de 2026

CCDRC - Calamidade Kristin

Foi no dia 19/02 que apresentei a candidatura para receber fundos para recuperar o telhado que voou e deixou a descoberto as garagens, uma arrecadação e uma wc exterior, ontem, quase 4 meses depois houve a confirmação de que iriam transferir o valor solicitado. Agora é arranjar mão-de-obra para ajudar a fazer tudo de novo e aguardar pela disponibilidade do restante material.

domingo, 14 de junho de 2026

Semana 2

 


E a segunda semana de "férias" já terminou, para além da lenha, na quarta enchemos a piscina e ainda nos divertimos nas tardes de sexta e sábado, depois voltou a ficar frio...a bomba de calor para aquecer a água ainda não tem previsões de chegar, era de 19 a 24 mas já disseram que possivelmente seria só no fim do mês. 

As árvores já estão quase todas retiradas, pelo que a minha cabeça já está mais tranquila.

sábado, 6 de junho de 2026

domingo, 31 de maio de 2026

Burocracias e esperas sem fim

Uma das partes mais desgastantes depois de um acidente ou de uma tempestade não é apenas lidar com os estragos. É também lidar com as burocracias, os processos, os pedidos, os documentos e, sobretudo, os intermináveis tempos de espera.

Os meses passam e continuamos sem respostas concretas.

No caso do seguro relacionado com o acidente de 9/12/2025, o reembolso continua por fazer. Entre contactos, documentação e promessas de análise, o processo arrasta-se sem uma data definida para conclusão.

Também o apoio para reparação da casa e das garagens permanece “em análise” desde 5/2/2026. Quase quatro meses de espera sem qualquer avanço visível ou informação concreta sobre quando haverá uma decisão.

Depois existe ainda o apoio para retirada das árvores derrubadas pela tempestade. Toda a documentação foi enviada a 19/03/2026, dentro dos prazos pedidos, mas até agora não existe qualquer perspetiva de quando poderá haver resposta — ou sequer se algum valor será efetivamente atribuído.

Entretanto, as despesas já foram feitas, o trabalho continua e os problemas não ficam à espera da burocracia. Quem está no terreno tem de resolver, limpar, reparar e avançar, muitas vezes recorrendo ao próprio esforço e carteira.

Percebe-se que existam processos, verificações e análises. Mas quem está do outro lado também precisava de respostas, previsões e alguma rapidez. Porque os prejuízos são imediatos, mas os apoios parecem sempre ficar perdidos no meio de papéis e sistemas.

E no fim sobra aquela sensação já demasiado conhecida: cumprir prazos é obrigatório para quem pede apoio, mas para quem decide ou paga, os meses continuam a passar sem consequências.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Férias… mas de motosserra na mão


As próximas duas semanas vão ser de férias. Mas não daquelas férias de descanso, praia ou viagens. Vão ser dias dedicados a tentar retirar o máximo de lenha que ainda falta limpar dos pinhais, consequência da passagem da tempestade Kristin.

Das cerca de 120 árvores afetadas, ainda faltam retirar aproximadamente 50. E o prazo termina daqui a um mês, por isso é aproveitar cada dia enquanto há forças e tempo.

Felizmente, tudo o que estava nos caminhos ou caído para terrenos vizinhos já foi tratado. Agora falta a parte que está apenas dentro dos nossos terrenos, espalhada por vários locais:

  • num terreno ficaram 6 pinheiros mansos;
  • noutro, 2 árvores;
  • noutro ainda, cerca de 40 árvores entre pinheiros e eucaliptos;
  • e por fim mais 2 ou 3 pinheiros e 6 sobreiros arrancados pela força do vento.

E se algumas árvores têm apenas cerca de 2 metros de altura e uns 20 centímetros de diâmetro, outras ultrapassam os 8 metros e têm mais de 50 centímetros de diâmetro. Trabalho duro, pesado e demorado.

Vai ser mais um esforço para tentar recuperar o que a tempestade destruiu. Haja forças para continuar.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Páscoa

Espero que tenham tido uma Páscoa tranquila, com alegria, boa companhia e, se possível… algum descanso (sei que nem sempre é fácil!).

Por aqui, o descanso decidiu tirar férias 😅
Na sexta-feira, fui até Alcobaça comprar um motoserra mais pequeno — daqueles que uma pessoa consegue usar sem parecer que está a entrar num filme de ação. Aproveitámos para almoçar por lá e a tarde foi mais calma, passada em casa.

Sábado começou cedo (como manda a lei de quem tem coisas para fazer) e lá fomos cortar mais três árvores, vítimas da Kristin. À tarde, foi tempo de as transformar em lenha, com a ajuda do rachador que era do meu pai — que continua a dar cartas. Ao fim do dia, ainda houve energia para amassar alguns folares, para garantir que no Domingo estavam bem fofinhos e dignos da ocasião.


Entre cuidar dos animais, regar o que vai resistindo no quintal e dar aquele “jeitinho” básico à casa, ainda fomos à missa. Depois, almoço nos sogros (porque Páscoa que é Páscoa tem mesa cheia) e, a meio da tarde, regresso a casa para a inevitável sessão de passar a ferro e preparar a verdura para a entrada — porque a tradição também se faz de detalhes.


Hoje trabalho sózinho de manhã. À tarde, depois de levar o filhote ao dentista, é dia de visita pascal, com missa às 16h. E como não há rota definida… tanto podem bater à porta às 17h como às 22h. É sempre uma surpresa — quase como um “ovo kinder”, mas versão religiosa 😄

E por aí… ainda se mantém a tradição da visita pascal ou já caiu em desuso?

quarta-feira, 11 de março de 2026

O tempo podia ajudar… 🌧️🌤️


Há alturas em que o tempo parece ter vontade própria — e não falo apenas do que passa nos relógios, mas daquele que manda no céu, no vento e na chuva. Esse tempo, que tantas vezes dita o ritmo de quem vive ligado à terra.

A Depressão Kristin passou com força, como tantas outras tempestades de inverno, e deixou marcas nos pinhais e nos terrenos. Árvores arrancadas pela raiz, outras partidas a meio, muitas tombadas no chão. Um cenário que quem trabalha com a floresta conhece bem: quando o vento leva a melhor, o trabalho multiplica-se.

Mas depois da tempestade vem outra luta — a de esperar.

Já passou cerca de um mês e meio e, olhando para os terrenos, parece que quase tudo ficou na mesma. Não por falta de vontade de trabalhar, mas porque o tempo não tem ajudado. A chuva insiste em cair, os caminhos ficam pesados, os terrenos encharcados. Ir cortar e transportar madeira assim torna-se difícil, muitas vezes impossível. Não é apenas uma questão de esforço; é também de segurança e de conseguir fazer o trabalho como deve ser.

Enquanto os pinhais esperam por dias mais secos, o trabalho continua em casa. Há sempre lenha para arrumar, troncos para cortar, pedaços que estavam guardados à espera de melhores dias — talvez da primavera — para serem tratados com mais calma. Agora vão sendo preparados, serrados e organizados.

É um trabalho que também exige tempo e paciência. Cada pedaço de madeira arrumado é uma pequena forma de preparar o que vem a seguir.

Porque quando o tempo finalmente ajudar — quando o sol secar os caminhos e os tratores puderem entrar sem medo de atolar — então será altura de voltar aos pinhais. Cortar o que ficou por tratar, transportar as árvores que ainda estão espalhadas pelo chão e trazer essa madeira para o seu lugar.

E aí, a lenha que agora se arruma em casa dará lugar à que ainda espera lá fora.

No fundo, quem vive ligado à terra aprende cedo uma lição simples: há coisas que dependem de nós… e outras que dependem do tempo. E quando o tempo não ajuda, resta continuar a fazer o que é possível, preparando o caminho para quando ele finalmente decidir colaborar.

Porque na floresta, como na vida, tudo tem o seu tempo. 🌲

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Kristin - Depressão ou Furacão???


Hoje regressei ao trabalho, em casa estou há 132 horas sem luz, rede, comunicações, apenas as sms começaram a chegar ontem ao fim do dia com dias de atraso.

Lá por casa voou um telhado/cobertura da zona dos carros e uma telha de acabamento do telhado da casa, contamos com uns 3000€ de arranjo mas temos de aguardar que haja matéria-prima para podermos reparar, para já colocámos um oleado e felizmente não estava nenhum carro debaixo daquela parte do telhado, nos terrenos dezenas e dezenas de árvores caíram (até agora contamos 40 e ainda não fomos aos pinhais propriamente ditos porque não é seguro).


3:30 de 28/01, o vento começou a fazer-se sentir com mais intensidade às 3:35, por volta das 4:00 era tão intenso que as tampas das caixas de estores batiam contra o cimento, parecia que eram as telhas a arrancar-se do telhado, às 5:19 começou a afastar-se e acalmou. Ás 6:30 levantei-me e a primeira coisa que noto é que faltava o telhado na zona do estacionamento da carrinha, como ainda era de noite nem me apercebi que tinha caído para o terreno do meu sogro, Infelizmente não dava para pegar e voltar a colocar no sítio pois ele rodou e não havia forma de o voltar a rodar, se só tivesse sido arrastado conseguíamos colocar quase sem estragos, assim terá de ser tudo novo.

Saí de casa às 8:00 e fui ou melhor tentei ir trabalhar, demorei 1:17 horas a chegar a Leiria (normalmente demoro 30 minutos) parecia o fim do mundo como devem ter visto, eu só sei o que vi, porque tv e internet ainda não há, demorei mais 1:15 a chegar a casa, ainda estive 30 minutos no local de trabalho mas sem luz não podia fazer nada, os colegas nem apareceram. 

Nunca pensei passar com o carro por cima de cabos elétricos mas teve de ser...nunca tal vi e nunca senti tanto receio de conduzir, pois fiz rotundas em contra-mão e andei demasiados quilómetros na faixa contrária. Gastei meio depósito nas cerca de 2,5 horas de viagem, tal era o pára-arranca, em vez de 36 km fiz mais de 50 km e bombas de combustível já não havia mas cheguei sã e salva a casa.

Deixei o carro em casa e fui saber da minha mãe, na casa não teve estragos mas caíram algumas árvores e fui ajudá-la a cortá-las para não estragarem as chapas e redes dos vizinhos, felizmente eram árvores pequenas e não estragaram nada.

O meu filho tentou ir para Coimbra mas a polícia não o deixou passar de Leiria para a frente e 3 exames ficaram por fazer, em Julho ou Setembro vai tentar fazê-los senão só para o ano que vem. Também chegou bem a casa e isso é o mais importante.

O meu marido andou a cortar as árvores da estrada principal até acabar a gasolina do moto-serra, senão ninguém podia sair da nossa aldeia, pois havia árvores em todas as saídas, entretanto quando foi fazer mais uma viagem a carrinha ficou sem gasóleo pois com o stress nem se lembrou que tinha pouco e bombas de combustível? Pois, não havia, só no dia seguinte, depois de 1:30 numa fila a quase 10 km de casa, pois primeiro pagava-se a dinheiro e só depois se podia abastecer e se quiséssemos gasóleo e gasolina (que era o que todos estavam a fazer) tínhamos de ir duas vezes pagar e só depois abastecer, conseguimos gasolina e gasóleo. De seguida fui até São Jorge e fui carregar os telemóveis (que serviram de lanterna na quarta-feira) na casa-de-banho do Continente... enquanto o marido foi comprar algumas pilhas, pão e chouriços para grelhar.

Entretanto o meu stress era a arca congeladora e o congelador do frigorífico, sem luz há mais de 36 horas valeu-nos o gerador que o meu sogro usa para a apanha da azeitona, que ele nem sabia que podia usar em casa, ficámos com ele umas horas na quinta à noite e sexta de manhã e às 9 fomos montá-lo a casa dele, no sábado à noite voltou para a nossa casa e está lá agora pois o meu sogro já tem luz desde ontem de manhã (outra linha da rede elétrica)

Na sexta voltamos a fazer os mesmos 20 km (ir e vir) que tínhamos feito para ter combustível, para ter rede para o meu filho se poder inscrever nas aulas do segundo semestre. Parece surreal mas a verdade é que continuamos como estávamos há 6 dias, sem luz, sem rede, sem net, nem as notícias conseguimos saber. 

No meio de tudo, felizmente tenho uma placa a gás na cave e uma lareira, entre grelhados na brasa e racionamento de refeições feitas na placa a gás (pois já não há botijas na zona) vamos vivendo (a previsão é haver luz até ao final do mês...mas até lá ...)

Se houve algo que o apagão de há 9 meses ensinou foi: ter dinheiro em casa para uma situação de urgência e ter um fogão a gás...falhámos em não ter um gerador ou uma bateria ligada aos painéis mas são despesas avultadas e têm de ser muito bem pensadas.

O filhote entretanto ontem foi para Coimbra e disse que até 10 km de Coimbra parece o fim do mundo, daí para a frente não se passou nada, tem luz, net, rede, água, gás, tudo tranquilo como noutra semana qualquer. Pelo menos ele está bem e tem tudo para os próximos dias, inclusive mandei comida a mais para se tiver de ficar para a próxima semana (ele tem fogão, frigorífico, micro-ondas, etc) e para além de 8 taças de comida que mandei e das refeições que pode fazer na ESAC, ainda tem cotovelinhos, espirais, esparguete, arroz, latas de pota, atum, salsichas e meia dúzia de ovos para poder fazer mais comida. Fome não passa.

Como foi pelas vossas terras?