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sexta-feira, 26 de junho de 2026

O que ter em casa em caso de tempestade ou apagão

Ter um plano simples e alguns itens básicos em casa pode fazer toda a diferença numa situação de falta de eletricidade ou mau tempo prolongado. Aqui fica uma checklist prática para consulta rápida.

💡 Iluminação e energia

Lanternas de mão

Lanternas de cabeça (muito úteis para ter as mãos livres)

Pilhas extra (compatíveis com todas as lanternas)

Velas e fósforos/isqueiro (uso complementar)

Powerbanks carregados

Rádio a pilhas ou alternativa de emergência

Gerador (se disponível)

Sistema solar com bateria/inversores (em planeamento ou instalação)

Energia e autonomia (caso tenham produção própria)

Painéis solares em funcionamento

Planeamento de bateria de armazenamento

Inversor adequado para suportar consumos essenciais

Extensões e cabos de ligação de emergência testados

💧 Água e alimentação

Garrafas de água armazenadas (mínimo alguns dias)

Alimentos não perecíveis (conservas, arroz, massa, bolachas, etc.)

Abridor manual de latas

Fogão portátil ou alternativa de aquecimento/cozedura (se aplicável)

🏠 Conforto e segurança

Cobertores extra

Kits básicos de primeiros socorros

Lanterna em cada divisão principal da casa

Roupa quente acessível

Lista de contactos de emergência em papel

📱 Comunicação e informação

Telemóveis carregados

Powerbanks sempre prontos

Meios alternativos para receber notícias (rádio, etc.)

🧠 Organização (muito importante)

Saber onde está cada item

Testar lanternas e equipamentos regularmente

Verificar pilhas e cargas a cada poucos meses

Garantir que todos em casa sabem onde está o “kit de emergência”

Nota final

Não se trata de viver em alerta permanente, mas sim de estar minimamente preparado para situações que podem acontecer a qualquer momento. Pequenas medidas trazem grande tranquilidade. No nosso caso, já temos lanternas de mão e de cabeça, pilhas, gerador, e estamos a avançar para um sistema com bateria e inversores ligado aos painéis solares, para aumentar ainda mais a autonomia da casa.

domingo, 31 de maio de 2026

Burocracias e esperas sem fim

Uma das partes mais desgastantes depois de um acidente ou de uma tempestade não é apenas lidar com os estragos. É também lidar com as burocracias, os processos, os pedidos, os documentos e, sobretudo, os intermináveis tempos de espera.

Os meses passam e continuamos sem respostas concretas.

No caso do seguro relacionado com o acidente de 9/12/2025, o reembolso continua por fazer. Entre contactos, documentação e promessas de análise, o processo arrasta-se sem uma data definida para conclusão.

Também o apoio para reparação da casa e das garagens permanece “em análise” desde 5/2/2026. Quase quatro meses de espera sem qualquer avanço visível ou informação concreta sobre quando haverá uma decisão.

Depois existe ainda o apoio para retirada das árvores derrubadas pela tempestade. Toda a documentação foi enviada a 19/03/2026, dentro dos prazos pedidos, mas até agora não existe qualquer perspetiva de quando poderá haver resposta — ou sequer se algum valor será efetivamente atribuído.

Entretanto, as despesas já foram feitas, o trabalho continua e os problemas não ficam à espera da burocracia. Quem está no terreno tem de resolver, limpar, reparar e avançar, muitas vezes recorrendo ao próprio esforço e carteira.

Percebe-se que existam processos, verificações e análises. Mas quem está do outro lado também precisava de respostas, previsões e alguma rapidez. Porque os prejuízos são imediatos, mas os apoios parecem sempre ficar perdidos no meio de papéis e sistemas.

E no fim sobra aquela sensação já demasiado conhecida: cumprir prazos é obrigatório para quem pede apoio, mas para quem decide ou paga, os meses continuam a passar sem consequências.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Férias… mas de motosserra na mão


As próximas duas semanas vão ser de férias. Mas não daquelas férias de descanso, praia ou viagens. Vão ser dias dedicados a tentar retirar o máximo de lenha que ainda falta limpar dos pinhais, consequência da passagem da tempestade Kristin.

Das cerca de 120 árvores afetadas, ainda faltam retirar aproximadamente 50. E o prazo termina daqui a um mês, por isso é aproveitar cada dia enquanto há forças e tempo.

Felizmente, tudo o que estava nos caminhos ou caído para terrenos vizinhos já foi tratado. Agora falta a parte que está apenas dentro dos nossos terrenos, espalhada por vários locais:

  • num terreno ficaram 6 pinheiros mansos;
  • noutro, 2 árvores;
  • noutro ainda, cerca de 40 árvores entre pinheiros e eucaliptos;
  • e por fim mais 2 ou 3 pinheiros e 6 sobreiros arrancados pela força do vento.

E se algumas árvores têm apenas cerca de 2 metros de altura e uns 20 centímetros de diâmetro, outras ultrapassam os 8 metros e têm mais de 50 centímetros de diâmetro. Trabalho duro, pesado e demorado.

Vai ser mais um esforço para tentar recuperar o que a tempestade destruiu. Haja forças para continuar.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Incerteza

Há sons que ficam gravados na memória coletiva de uma cidade. Em Leiria, nos últimos meses, um desses sons tem sido o das sirenes dos bombeiros a cortar o silêncio da noite e das manhãs cinzentas. E agora voltámos a ouvi-las. Outra vez.

Não dá sequer para perceber, à distância, o que aconteceu desta vez. Será o rio que voltou a subir? Mais árvores caídas? Estradas cortadas? Inundações? Há uma sensação estranha de repetição, como se o inverno nunca tivesse realmente ido embora.

Ainda Leiria tentava recuperar da tempestade de há três meses e meio — dos prejuízos, dos estragos, das limpezas intermináveis, das casas afetadas, dos parques destruídos e das infraestruturas danificadas — e já nos vemos novamente perante dias de chuva intensa, vento forte e alertas constantes.

Há zonas onde ainda se notam os sinais da última tempestade. Árvores fragilizadas, caminhos improvisados, zonas verdes que nunca voltaram ao normal. E talvez o mais pesado não seja apenas o que ficou destruído, mas o desgaste emocional de sentir que mal houve tempo para respirar antes de começar tudo outra vez.

Os bombeiros voltam a ser presença constante. Homens e mulheres que, independentemente da hora, continuam a responder a cada ocorrência, muitas vezes em condições difíceis e com recursos limitados. São eles que ouvimos passar vezes sem conta, enquanto tentamos perceber se o pior já passou ou se ainda está para vir.

E no meio disto tudo, cresce também uma reflexão inevitável: estaremos preparados para fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes e intensos? Porque aquilo que antes parecia excecional começa lentamente a tornar-se rotina.

Leiria conhece bem a força da água, do vento e das cheias. Mas também conhece a força das pessoas que ajudam, limpam, reconstruem e seguem em frente. Ainda assim, custa sentir que a cidade mal teve tempo para sarar antes de voltar a enfrentar mais um episódio de mau tempo.

Esperemos que desta vez os danos sejam menores. E que, em breve, o único som constante nas ruas volte a ser o da normalidade.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Páscoa

Espero que tenham tido uma Páscoa tranquila, com alegria, boa companhia e, se possível… algum descanso (sei que nem sempre é fácil!).

Por aqui, o descanso decidiu tirar férias 😅
Na sexta-feira, fui até Alcobaça comprar um motoserra mais pequeno — daqueles que uma pessoa consegue usar sem parecer que está a entrar num filme de ação. Aproveitámos para almoçar por lá e a tarde foi mais calma, passada em casa.

Sábado começou cedo (como manda a lei de quem tem coisas para fazer) e lá fomos cortar mais três árvores, vítimas da Kristin. À tarde, foi tempo de as transformar em lenha, com a ajuda do rachador que era do meu pai — que continua a dar cartas. Ao fim do dia, ainda houve energia para amassar alguns folares, para garantir que no Domingo estavam bem fofinhos e dignos da ocasião.


Entre cuidar dos animais, regar o que vai resistindo no quintal e dar aquele “jeitinho” básico à casa, ainda fomos à missa. Depois, almoço nos sogros (porque Páscoa que é Páscoa tem mesa cheia) e, a meio da tarde, regresso a casa para a inevitável sessão de passar a ferro e preparar a verdura para a entrada — porque a tradição também se faz de detalhes.


Hoje trabalho sózinho de manhã. À tarde, depois de levar o filhote ao dentista, é dia de visita pascal, com missa às 16h. E como não há rota definida… tanto podem bater à porta às 17h como às 22h. É sempre uma surpresa — quase como um “ovo kinder”, mas versão religiosa 😄

E por aí… ainda se mantém a tradição da visita pascal ou já caiu em desuso?

sexta-feira, 27 de março de 2026

Cansaço


Os meus gatos de rua na brincadeira no quintal...

Ultimamente sinto-me extremamente cansada. Mas não é aquele cansaço bonito de quem foi ao ginásio e agora merece um batido de proteína e uma selfie. Não. É aquele cansaço raiz, profundo, quase espiritual.

Não sei se é da idade (não vamos entrar por aí), se é de ter responsabilidades a mais, ou se o universo decidiu pôr-me à prova tipo reality show: “Vamos ver quantos problemas ela aguenta resolver numa semana.”

Spoiler: resolves um… aparecem logo dois. Isto já não é azar, é multiplicação automática. Estou praticamente a gerir uma startup de problemas.

Depois há a parte divertida — ou melhor, burocrática. Mais de 100 árvores para tratar em Porto de Mós, mais de mil em Ourém, e possivelmente ainda vão ser “vendadas” (o que quer que isso signifique no meio deste circo todo).

E claro, não podia faltar o elenco habitual:
BUPI, ICNF, SI-ICNF… parece que estou a lançar passwords aleatórias em vez de lidar com entidades. Só falta pedirem um captcha a dizer “prove que não é um robô” — sinceramente, às vezes nem eu tenho a certeza.

A melhor parte? Os sistemas não comunicam entre si. Zero. Nada. Nicles. Cada plataforma vive na sua bolha, como se nunca tivesse ouvido falar das outras. É quase poético… se não desse vontade de atirar o computador pela janela.

E os apoios? Ah, os apoios… esses seres mitológicos que toda a gente diz que existem, mas que ninguém vê. Tipo unicórnios, mas com mais papelada.

No meio disto tudo, cá estou eu. Cansada, sim. Mas funcional. Mais ou menos. Com um nível de sarcasmo a aumentar proporcionalmente ao número de problemas.

Conclusão: se alguém souber onde se desliga isto tudo por 48 horas, agradeço. Prometo voltar com mais paciência… ou pelo menos com melhores piadas.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O tempo podia ajudar… 🌧️🌤️


Há alturas em que o tempo parece ter vontade própria — e não falo apenas do que passa nos relógios, mas daquele que manda no céu, no vento e na chuva. Esse tempo, que tantas vezes dita o ritmo de quem vive ligado à terra.

A Depressão Kristin passou com força, como tantas outras tempestades de inverno, e deixou marcas nos pinhais e nos terrenos. Árvores arrancadas pela raiz, outras partidas a meio, muitas tombadas no chão. Um cenário que quem trabalha com a floresta conhece bem: quando o vento leva a melhor, o trabalho multiplica-se.

Mas depois da tempestade vem outra luta — a de esperar.

Já passou cerca de um mês e meio e, olhando para os terrenos, parece que quase tudo ficou na mesma. Não por falta de vontade de trabalhar, mas porque o tempo não tem ajudado. A chuva insiste em cair, os caminhos ficam pesados, os terrenos encharcados. Ir cortar e transportar madeira assim torna-se difícil, muitas vezes impossível. Não é apenas uma questão de esforço; é também de segurança e de conseguir fazer o trabalho como deve ser.

Enquanto os pinhais esperam por dias mais secos, o trabalho continua em casa. Há sempre lenha para arrumar, troncos para cortar, pedaços que estavam guardados à espera de melhores dias — talvez da primavera — para serem tratados com mais calma. Agora vão sendo preparados, serrados e organizados.

É um trabalho que também exige tempo e paciência. Cada pedaço de madeira arrumado é uma pequena forma de preparar o que vem a seguir.

Porque quando o tempo finalmente ajudar — quando o sol secar os caminhos e os tratores puderem entrar sem medo de atolar — então será altura de voltar aos pinhais. Cortar o que ficou por tratar, transportar as árvores que ainda estão espalhadas pelo chão e trazer essa madeira para o seu lugar.

E aí, a lenha que agora se arruma em casa dará lugar à que ainda espera lá fora.

No fundo, quem vive ligado à terra aprende cedo uma lição simples: há coisas que dependem de nós… e outras que dependem do tempo. E quando o tempo não ajuda, resta continuar a fazer o que é possível, preparando o caminho para quando ele finalmente decidir colaborar.

Porque na floresta, como na vida, tudo tem o seu tempo. 🌲

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Mais e mais... chuva...

Mas onde é que andava tanta água?!?!? Eu sei que nos últimos Invernos tem chovido muito pouco mas não havia necessidade de levarmos com essa chuva toda em apenas 3 meses...

Se durante anos ouvimos falar de seca, barragens em mínimos históricos e restrições ao consumo, de repente parece que alguém abriu as comportas do céu. Rios cheios, campos encharcados, estradas cortadas e aquela sensação constante de que “já chega!”. A pergunta é inevitável: afinal, o que está a acontecer com o nosso clima?

Para os agricultores, este cenário é especialmente complicado. A falta de água prejudica culturas durante meses; o excesso destrói em dias. Solos saturados perdem nutrientes, culturas apodrecem e o trabalho de uma época pode desaparecer numa semana de chuva intensa.

A imprevisibilidade é, talvez, o maior desafio

Claro que as barragens cheias são uma boa notícia após períodos de seca prolongada. Mas quando a reposição acontece de forma tão concentrada, surgem novos problemas: erosão, cheias, danos materiais e riscos para a segurança das populações.

O desafio não é apenas “ter água”. É ter água distribuída ao longo do tempo de forma equilibrada.

Mais do que perguntar onde andava tanta água, talvez devamos perguntar: estamos preparados para este novo normal?

Investir em retenção sustentável de água, recuperar solos, modernizar infraestruturas e repensar o ordenamento do território são passos essenciais. A alternância entre seca e chuva extrema não parece ser uma exceção — começa a parecer regra.

E se há algo que estes últimos meses nos ensinaram é que o problema já não é só a falta de água.

É o excesso.
É a intensidade.
É o desequilíbrio.

E isso exige mais do que guarda-chuvas.

Primeiro foi Leiria, seguiu-se Alcácer do Sal, Montemor-o-Velho, Santarém, Coimbra... brevemente "o país está todo debaixo de água", ou pelo menos é essa a sensação quando abrimos as notícias e vemos imagens de ruas transformadas em rios, campos agrícolas submersos e populações em sobressalto. Em Leiria, as cheias trouxeram memórias de outros invernos difíceis. Em Alcácer do Sal, o rio voltou a reclamar espaço. Montemor-o-Velho e Santarém conhecem bem o comportamento imprevisível dos seus cursos de água. E Coimbra, abraçada ao Mondego, volta e meia revive o velho dilema entre proximidade e risco.

Não é coincidência que muitas destas localidades estejam junto a rios. Durante séculos, foi ali que as cidades cresceram: água para consumo, agricultura, transporte e comércio. O problema é que os rios têm memória — e planícies de inundação também.

Ao longo das últimas décadas, ocupámos zonas naturalmente inundáveis com estradas, armazéns, urbanizações e parques industriais. Em anos “normais”, tudo parece tranquilo. Mas quando a precipitação se concentra de forma intensa, o que era exceção volta a acontecer: a água regressa aos espaços que sempre foram seus.

E quando regressa, não pede licença.

As redes sociais amplificam tudo. Um vídeo de uma rua alagada parece sinal de colapso nacional. Claro que há situações graves e prejuízos reais — e esses não devem ser minimizados. Mas também é verdade que episódios localizados criam a sensação de que “o país está todo debaixo de água”, mesmo quando os impactos variam bastante de região para região.

Ainda assim, a repetição destes episódios em diferentes pontos do território revela um padrão preocupante: eventos extremos mais frequentes e mais intensos.

O que costuma acontecer depois?
Passa a chuva, baixa o nível dos rios, limpam-se os estragos… e seguimos em frente. Até ao próximo inverno.

O problema é que este ciclo de reação — em vez de prevenção — sai caro. Muito mais caro do que investir antecipadamente em soluções estruturais: bacias de retenção, recuperação de zonas húmidas, reflorestação adequada, planeamento urbano responsável.

Não estamos “à beira de virar Atlântico”. Mas também não podemos fingir que nada mudou. O equilíbrio climático a que estávamos habituados já não é garantido.

Se antes temíamos a seca prolongada, agora temos de aprender a gerir extremos em ambos os sentidos. Água a menos destrói lentamente. Água a mais destrói depressa.

Talvez a verdadeira questão não seja se o país vai ficar todo debaixo de água.

Talvez seja: vamos continuar a agir como se estes episódios fossem excecionais… ou vamos finalmente aceitar que são parte de uma nova realidade?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Notícias


FINALMENTE ontem tive LUZ ao fim do dia, 15 dias depois e ao acender a luz da cozinha a minha reação foi "tanta luz" é que comparando com as lanternas do telemóvel das últimas semanas parecia que tinha o sol no tecto, 5 minutos depois e as notícias foram que tinha rebentado o dique no Mondego.

Minutos depois a ESAC faz comunicado para se porem a salvo que as aulas dos próximos dias são online, resultado o puto fugiu de Coimbra meia-hora depois visto o rebentamento ser a 1700 metros em linha reta (se não usarmos as estradas) de onde ele vive. Se a ESAC agora fez bem em alarmar, claro que sim, mas com a Kristin mantiveram os exames....enfim....ainda não se acabaram as reclamações... já só faltam 2 meses, é o que eu lhe digo...nem que fique alguma por fazer para o próximo ano, já será ir lá no dia do exame e mais nada...

Até ele chegar a casa, eram 20:53, foi um stress, pois chovia, estava vento, estava tudo a sair de Coimbra, trânsito parado nos acessos, transitáveis, à nacional, enfim é nestas alturas que Coimbra em vez de estar a 93 km parece que está na Islândia... mas quando chegou ele disse que depois de Condeixa não havia trânsito nenhum até casa.

Que tal passarmos já para 2027...é que se 2020 foi mau, 2026 não está a ser nada melhor...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

E agora vem o Leonardo...e depois a Marta e depois o Nils....

 Os terrenos já estão saturados de água e a informação atual é de que irá chover nos próximos 5 dias o equivalente ao que costuma chover em 30 dias. Era suposto começar a chover só à tarde em Leiria mas às 10:30 já chovia e caía pedraço... que alguém lá em cima nos proteja.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Kristin - Depressão ou Furacão???


Hoje regressei ao trabalho, em casa estou há 132 horas sem luz, rede, comunicações, apenas as sms começaram a chegar ontem ao fim do dia com dias de atraso.

Lá por casa voou um telhado/cobertura da zona dos carros e uma telha de acabamento do telhado da casa, contamos com uns 3000€ de arranjo mas temos de aguardar que haja matéria-prima para podermos reparar, para já colocámos um oleado e felizmente não estava nenhum carro debaixo daquela parte do telhado, nos terrenos dezenas e dezenas de árvores caíram (até agora contamos 40 e ainda não fomos aos pinhais propriamente ditos porque não é seguro).


3:30 de 28/01, o vento começou a fazer-se sentir com mais intensidade às 3:35, por volta das 4:00 era tão intenso que as tampas das caixas de estores batiam contra o cimento, parecia que eram as telhas a arrancar-se do telhado, às 5:19 começou a afastar-se e acalmou. Ás 6:30 levantei-me e a primeira coisa que noto é que faltava o telhado na zona do estacionamento da carrinha, como ainda era de noite nem me apercebi que tinha caído para o terreno do meu sogro, Infelizmente não dava para pegar e voltar a colocar no sítio pois ele rodou e não havia forma de o voltar a rodar, se só tivesse sido arrastado conseguíamos colocar quase sem estragos, assim terá de ser tudo novo.

Saí de casa às 8:00 e fui ou melhor tentei ir trabalhar, demorei 1:17 horas a chegar a Leiria (normalmente demoro 30 minutos) parecia o fim do mundo como devem ter visto, eu só sei o que vi, porque tv e internet ainda não há, demorei mais 1:15 a chegar a casa, ainda estive 30 minutos no local de trabalho mas sem luz não podia fazer nada, os colegas nem apareceram. 

Nunca pensei passar com o carro por cima de cabos elétricos mas teve de ser...nunca tal vi e nunca senti tanto receio de conduzir, pois fiz rotundas em contra-mão e andei demasiados quilómetros na faixa contrária. Gastei meio depósito nas cerca de 2,5 horas de viagem, tal era o pára-arranca, em vez de 36 km fiz mais de 50 km e bombas de combustível já não havia mas cheguei sã e salva a casa.

Deixei o carro em casa e fui saber da minha mãe, na casa não teve estragos mas caíram algumas árvores e fui ajudá-la a cortá-las para não estragarem as chapas e redes dos vizinhos, felizmente eram árvores pequenas e não estragaram nada.

O meu filho tentou ir para Coimbra mas a polícia não o deixou passar de Leiria para a frente e 3 exames ficaram por fazer, em Julho ou Setembro vai tentar fazê-los senão só para o ano que vem. Também chegou bem a casa e isso é o mais importante.

O meu marido andou a cortar as árvores da estrada principal até acabar a gasolina do moto-serra, senão ninguém podia sair da nossa aldeia, pois havia árvores em todas as saídas, entretanto quando foi fazer mais uma viagem a carrinha ficou sem gasóleo pois com o stress nem se lembrou que tinha pouco e bombas de combustível? Pois, não havia, só no dia seguinte, depois de 1:30 numa fila a quase 10 km de casa, pois primeiro pagava-se a dinheiro e só depois se podia abastecer e se quiséssemos gasóleo e gasolina (que era o que todos estavam a fazer) tínhamos de ir duas vezes pagar e só depois abastecer, conseguimos gasolina e gasóleo. De seguida fui até São Jorge e fui carregar os telemóveis (que serviram de lanterna na quarta-feira) na casa-de-banho do Continente... enquanto o marido foi comprar algumas pilhas, pão e chouriços para grelhar.

Entretanto o meu stress era a arca congeladora e o congelador do frigorífico, sem luz há mais de 36 horas valeu-nos o gerador que o meu sogro usa para a apanha da azeitona, que ele nem sabia que podia usar em casa, ficámos com ele umas horas na quinta à noite e sexta de manhã e às 9 fomos montá-lo a casa dele, no sábado à noite voltou para a nossa casa e está lá agora pois o meu sogro já tem luz desde ontem de manhã (outra linha da rede elétrica)

Na sexta voltamos a fazer os mesmos 20 km (ir e vir) que tínhamos feito para ter combustível, para ter rede para o meu filho se poder inscrever nas aulas do segundo semestre. Parece surreal mas a verdade é que continuamos como estávamos há 6 dias, sem luz, sem rede, sem net, nem as notícias conseguimos saber. 

No meio de tudo, felizmente tenho uma placa a gás na cave e uma lareira, entre grelhados na brasa e racionamento de refeições feitas na placa a gás (pois já não há botijas na zona) vamos vivendo (a previsão é haver luz até ao final do mês...mas até lá ...)

Se houve algo que o apagão de há 9 meses ensinou foi: ter dinheiro em casa para uma situação de urgência e ter um fogão a gás...falhámos em não ter um gerador ou uma bateria ligada aos painéis mas são despesas avultadas e têm de ser muito bem pensadas.

O filhote entretanto ontem foi para Coimbra e disse que até 10 km de Coimbra parece o fim do mundo, daí para a frente não se passou nada, tem luz, net, rede, água, gás, tudo tranquilo como noutra semana qualquer. Pelo menos ele está bem e tem tudo para os próximos dias, inclusive mandei comida a mais para se tiver de ficar para a próxima semana (ele tem fogão, frigorífico, micro-ondas, etc) e para além de 8 taças de comida que mandei e das refeições que pode fazer na ESAC, ainda tem cotovelinhos, espirais, esparguete, arroz, latas de pota, atum, salsichas e meia dúzia de ovos para poder fazer mais comida. Fome não passa.

Como foi pelas vossas terras?