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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

“Soube ontem que partiste…”

Quando recebo notícias inesperadas, que me fazem ficar a tremer, tenho-me socorrido do ChatGPT e o conselho foi: " escrever uma carta em que dissesse:

  • O que ele significou

  • O que ficou por dizer

  • Um agradecimento simples

No fim: “Levo-te comigo, mas deixo-te partir.” - Guarda a carta ou rasga-a - ambos são válidos. "

 

... mas, ao tentar fazê-lo ainda choro mais, ainda dói mais, até um dia meu Amigo N.

“Que estejas em paz. Eu lembro-me de ti.”

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

A tristeza do Natal - Desabafo

E esta época que nunca foi de alegria na minha família, está cada vez mais triste... cada vez desejamos mais pessoas em vez se presentes... 

Há 37 anos faleciam os meus avós e eu com 7 anos nunca mais soube o que era alegria no Natal pois sempre era passado com a minha mãe a chorar e a rezar... 

O meu pai faleceu há 21 meses e se eu consigo ou pelo menos tento não estar a chorar, pelo menos à frente do meu filho para ele não ficar traumatizado como eu fiquei, a minha mãe faz tudo por tudo para nos fazer sentir mal de cada vez que sorrimos, como se isso nos fosse proibido, quando o meu pai era a pessoa mais alegre e bem disposta que eu conheci.

Por mais que eu tente "estar para cima" ela puxa-me para baixo todos os dias, tenta fazer com que eu me sinta culpada por tudo desde que nasci e agora ainda mais, não está a ser nada fácil...

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Triste e desmotivada

Amanhã faz onze anos que sofri a terceira perda gestacional, não sei se é por esse motivo, se é por já ter sofrido perdas demais, hoje estou mais triste. 

Inclusive já chorei no trabalho, claro sem ninguém ver, até porque aqui, como em quase todos os sítios, não há amigos, só colegas e esses não querem saber de nós, do que nos vai na alma.

Estou aqui há 13 meses e a contar os dias para ir embora, renovaram o contrato em Setembro mas sempre achei que iria ser aumentada aquando da renovação, errado.... "que se fosse dois meses antes seria aumentada de certeza, mas que neste contexto com toda esta incerteza não o poderiam fazer", "que talvez me dessem um prémio no final do ano", "que gostavam do meu trabalho...." enfim conversas da treta que não pagam contas, como o segundo contrato é de 6 meses termina a 18/03/2023.... e eu já conto os dias. 

Todos os dias ouço as pessoas a dizerem que um licenciado, aqui na zona, recebe 1300€- 1500€...  inclusive a minha colega, que está aqui há 4 anos recebe mais ou menos isso (1000€ + 500€ em prémios).... onde é que eu falhei que nunca recebi isso.... ainda me irrita mais dizerem que faço um bom trabalho, que sou organizada, pontual, assídua e depois no final não ser recompensada, enquanto que quem não faz nada recebe o dobro.... mais do mesmo, infelizmente...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O porquê da tristeza…

Nesta altura do ano é comum perguntarem-me porque ando triste, é normal, as pessoas conhecem-nos mas não nos “conhecem”… poderia dizer inúmeras coisas mas não entenderiam, apenas os que me são próximos entendem e mesmo assim nem todos.
Poderia começar por vos contar uma história, mas essa história subentendia tantas outras, que eu teria que escrever uma autobiografia.
E essa parte deixo para quando tiver uma casa à beira do lago, em que a única coisa que ouça seja o barulho das águas a bater nas pedras, o coachar das rãs e o sibilar dos pássaros...
Por isso o melhor é dizer como digo sempre… não é NADA… mas este ano apetece-me imortalizar e contar-vos a “história da minha infância” que me "fez" como sou por ser tão marcante…
Já passaram 26 anos e parece que foi ontem, pois os acontecimentos desse fatídico dia ainda continuam tão presentes na minha memória. Nessa altura o dia da mãe era comemorado a 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição e nesse ano a minha mãe resolveu ir visitar os pais no dia 1 uma vez que no fim de semana seguinte íamos passear com alguns vizinhos. À despedida ainda recordo as palavras que se trocaram, por sinal as últimas que eu ouviria da minha avó… a minha mãe disse-lhe que não poderia ir no fim de semana seguinte e ela respondeu “ vê lá se não tens que cá vir antes…” e infelizmente assim foi…
Era uma noite como tantas outras, a minha avó preparava-se para fazer o jantar, necessitava de água e foi ao poço buscá-la, mas quis o destino que a picota se partisse e ela caísse dentro do poço, uma vizinha quando ouviu o barulho começou a gritar e então um rapaz, que estava a chegar lá a casa para informar o meu tio mais novo que ele tinha ficado “livre” da tropa, foi a correr ver o que se passava. Nisto chegou o meu avô que tinha ido à estação de Fátima levar uns amigos e foi também ajudar, no meio da aflição a primeira escada que encontraram era demasiado curta e não chegava ao fundo do poço, então para ultrapassar a situação ataram uma corda e o rapazito prontificou-se a descer para ir buscar a minha avó, mas o meu avô não deixou, retorquiu que quem ia buscar “ a sua Maria” era ele, e assim foi… o meu avó desceu a escada e conseguiu agarrar a minha avó… entretanto chegaram mais pessoas e quando estavam a tentar iça-los… o muro do poço desabou e dois tijolos atingiram o meu avô na cabeça… nada mais havendo a fazer… quando chegaram os bombeiros, confirmou-se o óbito e retiraram-se os corpos da escada…
E já passaram 26 anos e continua a doer imenso a ausência deles...

sábado, 31 de julho de 2010

Sad

Com o nascimento do filhote da minha prima voltaram todas as emoções e sentimentos que tenho tentado manter ocultos.

Há 5 meses atrás senti um misto de sentimentos: raiva, culpa, medo e até ódio, hoje 5 meses depois ainda estou à espera de um telefonema da MBB, para saber se posso ou não ter mais filhos saudáveis ou se vou correr sempre o risco de vir a ter filhos com deficiências. Estou desesperadamente ansiosa para ouvir coisas positivas, pois o medo de viver tudo outra vez é mais forte do que a vontade de voltar a ser mãe.
O que mais me custava e custa ouvir é:

” Foi melhor assim, se o bebé tinha problemas, até foi bom assim”

“Não desanimes, vai correr tudo bem, ainda és nova, logo tens outro”

Mas que raio estamos a falar de um filho, não de um carro ou de um livro ou de qualquer objecto inanimado sem significado e substituível.

Por vezes ainda não aceito o que aconteceu… sinto saudades do meu bebé que lutou pela vida e não conseguiu sobreviver…e eu? Será que algum dia vou conseguir superar esta dor, este vazio que sinto?


O meu bebé vai sempre fazer parte de mim, do pai e do mano, não sei se outro filho(a) irá apaziguar esta dor que ainda hoje sinto…

Perdi dois bebés, que toda a gente teima em dizer que não eram bebés porque era ainda muito cedo, mas a dor foi minha e o que essas pessoas me dizem é absurdo demais…

Chorei como nunca na minha vida, só me apetecia morrer, quando finalmente consegui parar de chorar só me passava pela cabeça… como é que eu ia contar ao meu filho, Cristiano… que já falava imenso no mano ou mana com quem ia brincar e até já tinha escolhido quais os brinquedos que lhe ia dar.