quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quase 30 anos depois...

Faz dia 04 de Outubro, 30 anos que tirei a carta de condução e recebi esta semana, pela primeira vez, uma carta do MAI...ou seja... uma multa para pagar. Qual não é o meu espanto quando vejo que é de excesso de velocidade, no IC2 próximo de Coimbra, vejo a data e era 06/10/2025, ou seja no dia que fui a Coimbra fazer uma colonoscopia, passei a 106 km/h (com a margem de erro poderia ir a 100 km/h) num sítio que o limite era a 90 km/h...bolas, não bastou ter estado uma série de dias a comer pouco/sem comer, ter de fazer o exame e ainda tenho de pagar 60€...eu que sou tão cuidadosa, certamente estaria a ultrapassar pois é numa reta, com duas faixas, fora de uma localidade e eu não sabia que havia radar, senão não teria passado a mais 16 km do que o permitido. 

Sempre disse que o dinheiro das multas era o dinheiro mais mal empregue que se pode gastar e ao fim de 29 anos calhou-me a mim. Eu a achar que seria uma multa de estacionamento porque aqui em Leiria é um caos e afinal não. Não tinha ideia que demoravam tanto tempo para enviar uma multa, 4 meses é muito  difícil de comprovar se sim ou não ia a essa velocidade (mesmo que tivesse sistema que gravasse as viagens, 4 meses depois já teria sobreposto as imagens, mas neste carro não tenho, só no outro)

Os CTT na minha zona são uma desgraça, ora que no aviso estava escrito que a tentativa de entrega foi no dia 11/02 mas o aviso foi deixado na caixa do correio apenas no dia 16/02, só sendo possível levantar hoje, ou seja entretanto passou uma semana e estas coisas têm prazos para pagamento. Pelas vossas localidades também há este atraso todo nos ctt?


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Mais e mais... chuva...

Mas onde é que andava tanta água?!?!? Eu sei que nos últimos Invernos tem chovido muito pouco mas não havia necessidade de levarmos com essa chuva toda em apenas 3 meses...

Se durante anos ouvimos falar de seca, barragens em mínimos históricos e restrições ao consumo, de repente parece que alguém abriu as comportas do céu. Rios cheios, campos encharcados, estradas cortadas e aquela sensação constante de que “já chega!”. A pergunta é inevitável: afinal, o que está a acontecer com o nosso clima?

Para os agricultores, este cenário é especialmente complicado. A falta de água prejudica culturas durante meses; o excesso destrói em dias. Solos saturados perdem nutrientes, culturas apodrecem e o trabalho de uma época pode desaparecer numa semana de chuva intensa.

A imprevisibilidade é, talvez, o maior desafio

Claro que as barragens cheias são uma boa notícia após períodos de seca prolongada. Mas quando a reposição acontece de forma tão concentrada, surgem novos problemas: erosão, cheias, danos materiais e riscos para a segurança das populações.

O desafio não é apenas “ter água”. É ter água distribuída ao longo do tempo de forma equilibrada.

Mais do que perguntar onde andava tanta água, talvez devamos perguntar: estamos preparados para este novo normal?

Investir em retenção sustentável de água, recuperar solos, modernizar infraestruturas e repensar o ordenamento do território são passos essenciais. A alternância entre seca e chuva extrema não parece ser uma exceção — começa a parecer regra.

E se há algo que estes últimos meses nos ensinaram é que o problema já não é só a falta de água.

É o excesso.
É a intensidade.
É o desequilíbrio.

E isso exige mais do que guarda-chuvas.

Primeiro foi Leiria, seguiu-se Alcácer do Sal, Montemor-o-Velho, Santarém, Coimbra... brevemente "o país está todo debaixo de água", ou pelo menos é essa a sensação quando abrimos as notícias e vemos imagens de ruas transformadas em rios, campos agrícolas submersos e populações em sobressalto. Em Leiria, as cheias trouxeram memórias de outros invernos difíceis. Em Alcácer do Sal, o rio voltou a reclamar espaço. Montemor-o-Velho e Santarém conhecem bem o comportamento imprevisível dos seus cursos de água. E Coimbra, abraçada ao Mondego, volta e meia revive o velho dilema entre proximidade e risco.

Não é coincidência que muitas destas localidades estejam junto a rios. Durante séculos, foi ali que as cidades cresceram: água para consumo, agricultura, transporte e comércio. O problema é que os rios têm memória — e planícies de inundação também.

Ao longo das últimas décadas, ocupámos zonas naturalmente inundáveis com estradas, armazéns, urbanizações e parques industriais. Em anos “normais”, tudo parece tranquilo. Mas quando a precipitação se concentra de forma intensa, o que era exceção volta a acontecer: a água regressa aos espaços que sempre foram seus.

E quando regressa, não pede licença.

As redes sociais amplificam tudo. Um vídeo de uma rua alagada parece sinal de colapso nacional. Claro que há situações graves e prejuízos reais — e esses não devem ser minimizados. Mas também é verdade que episódios localizados criam a sensação de que “o país está todo debaixo de água”, mesmo quando os impactos variam bastante de região para região.

Ainda assim, a repetição destes episódios em diferentes pontos do território revela um padrão preocupante: eventos extremos mais frequentes e mais intensos.

O que costuma acontecer depois?
Passa a chuva, baixa o nível dos rios, limpam-se os estragos… e seguimos em frente. Até ao próximo inverno.

O problema é que este ciclo de reação — em vez de prevenção — sai caro. Muito mais caro do que investir antecipadamente em soluções estruturais: bacias de retenção, recuperação de zonas húmidas, reflorestação adequada, planeamento urbano responsável.

Não estamos “à beira de virar Atlântico”. Mas também não podemos fingir que nada mudou. O equilíbrio climático a que estávamos habituados já não é garantido.

Se antes temíamos a seca prolongada, agora temos de aprender a gerir extremos em ambos os sentidos. Água a menos destrói lentamente. Água a mais destrói depressa.

Talvez a verdadeira questão não seja se o país vai ficar todo debaixo de água.

Talvez seja: vamos continuar a agir como se estes episódios fossem excecionais… ou vamos finalmente aceitar que são parte de uma nova realidade?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Notícias

FINALMENTE ontem tive LUZ ao fim do dia, 15 dias depois e ao acender a luz da cozinha a minha reação foi "tanta luz" é que comparando com as lanternas do telemóvel das últimas semanas parecia que tinha o sol no tecto, 5 minutos depois e as notícias foram que tinha rebentado o dique no Mondego.

Minutos depois a ESAC faz comunicado para se porem a salvo que as aulas dos próximos dias são online, resultado o puto fugiu de Coimbra meia-hora depois visto o rebentamento ser a 1700 metros em linha reta (se não usarmos as estradas) de onde ele vive. Se a ESAC agora fez bem em alarmar, claro que sim, mas com a Kristin mantiveram os exames....enfim....ainda não se acabaram as reclamações... já só faltam 2 meses, é o que eu lhe digo...nem que fique alguma por fazer para o próximo ano, já será ir lá no dia do exame e mais nada...

Até ele chegar a casa, eram 20:53, foi um stress, pois chovia, estava vento, estava tudo a sair de Coimbra, trânsito parado nos acessos, transitáveis, à nacional, enfim é nestas alturas que Coimbra em vez de estar a 93 km parece que está na Islândia... mas quando chegou ele disse que depois de Condeixa não havia trânsito nenhum até casa.

Que tal passarmos já para 2027...é que se 2020 foi mau, 2026 não está a ser nada melhor...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Mais uma semana sem novidades...

Continuamos sem luz e atingimos o marco das 300 horas, com pouca rede e internet aos soluços...

A racionar o gás e a abrir o mínimo possível a arca congeladora que se vai aguentando graças ao gerador do meu sogro a trabalhar 4 horas por dia...e só para isso já vamos em quase 100€ de combustível.

Os PT's que temos são simples/pequenos, sem casinha à volta pelo que não dá para ligar um gerador...enquanto a e-redes ou um dos parceiros não conseguir passar os cabos elétricos não teremos luz... e a previsão de só lá para o final do mês, cada vez parece mais certa.

Chuva e mais chuva nos próximos dias, também não ajuda nada a restaurar os cabos elétricos.

P. S. Hoje faleceu eletrocutado um funcionário da CANAS, ao serviço da E-REDES aqui em Leiria...


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

10 dias depois da Tempestade

E ainda não tenho luz, internet e a rede está aos soluços e não passa dos 2 traços e apenas no canto mais a Este da casa, de tal forma que só consigo receber SMS e por vezes com horas de atraso... valha-me a lareira para grelhar carne e o gás para fazer uma massa ou um arroz (sim, estou a economizar gás pois já esgotou aqui à volta e não tenho botija suplente para poder ir comprar mais longe).

Ontem não consegui ir trabalhar, caíram mais árvores, estas de grande porte, que sempre me lembro de existirem, e para além de cortarem as estradas para podermos sair da minha terra.

No caíram todas ao mesmo tempo...cortaram uma delas pela manhã e à hora de almoço caiu outra sensivelmente no mesmo sítio... cada uma delas era equivalente a 4 ou 5 pinheiros pois tinham várias pernadas.  Para agravar a situação de não termos cabos elétricos nem sabermos quando os irão colocar, uma destas árvores "alagou" um dos postes...

Previsões? Até ao final do mês para reporem os cabos, em princípio....que mês comprido este Fevereiro....nem o facto de eu fazer anos melhora a coisa....

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

E agora vem o Leonardo...e depois a Marta e depois o Nils....

 Os terrenos já estão saturados de água e a informação atual é de que irá chover nos próximos 5 dias o equivalente ao que costuma chover em 30 dias. Era suposto começar a chover só à tarde em Leiria mas às 10:30 já chovia e caía pedraço... que alguém lá em cima nos proteja.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Kristin - Depressão ou Furacão???


Hoje regressei ao trabalho, em casa estou há 132 horas sem luz, rede, comunicações, apenas as sms começaram a chegar ontem ao fim do dia com dias de atraso.

Lá por casa voou um telhado/cobertura da zona dos carros e uma telha de acabamento do telhado da casa, contamos com uns 3000€ de arranjo mas temos de aguardar que haja matéria-prima para podermos reparar, para já colocámos um oleado e felizmente não estava nenhum carro debaixo daquela parte do telhado, nos terrenos dezenas e dezenas de árvores caíram (até agora contamos 40 e ainda não fomos aos pinhais propriamente ditos porque não é seguro).


3:30 de 28/01, o vento começou a fazer-se sentir com mais intensidade às 3:35, por volta das 4:00 era tão intenso que as tampas das caixas de estores batiam contra o cimento, parecia que eram as telhas a arrancar-se do telhado, às 5:19 começou a afastar-se e acalmou. Ás 6:30 levantei-me e a primeira coisa que noto é que faltava o telhado na zona do estacionamento da carrinha, como ainda era de noite nem me apercebi que tinha caído para o terreno do meu sogro, Infelizmente não dava para pegar e voltar a colocar no sítio pois ele rodou e não havia forma de o voltar a rodar, se só tivesse sido arrastado conseguíamos colocar quase sem estragos, assim terá de ser tudo novo.

Saí de casa às 8:00 e fui ou melhor tentei ir trabalhar, demorei 1:17 horas a chegar a Leiria (normalmente demoro 30 minutos) parecia o fim do mundo como devem ter visto, eu só sei o que vi, porque tv e internet ainda não há, demorei mais 1:15 a chegar a casa, ainda estive 30 minutos no local de trabalho mas sem luz não podia fazer nada, os colegas nem apareceram. 

Nunca pensei passar com o carro por cima de cabos elétricos mas teve de ser...nunca tal vi e nunca senti tanto receio de conduzir, pois fiz rotundas em contra-mão e andei demasiados quilómetros na faixa contrária. Gastei meio depósito nas cerca de 2,5 horas de viagem, tal era o pára-arranca, em vez de 36 km fiz mais de 50 km e bombas de combustível já não havia mas cheguei sã e salva a casa.

Deixei o carro em casa e fui saber da minha mãe, na casa não teve estragos mas caíram algumas árvores e fui ajudá-la a cortá-las para não estragarem as chapas e redes dos vizinhos, felizmente eram árvores pequenas e não estragaram nada.

O meu filho tentou ir para Coimbra mas a polícia não o deixou passar de Leiria para a frente e 3 exames ficaram por fazer, em Julho ou Setembro vai tentar fazê-los senão só para o ano que vem. Também chegou bem a casa e isso é o mais importante.

O meu marido andou a cortar as árvores da estrada principal até acabar a gasolina do moto-serra, senão ninguém podia sair da nossa aldeia, pois havia árvores em todas as saídas, entretanto quando foi fazer mais uma viagem a carrinha ficou sem gasóleo pois com o stress nem se lembrou que tinha pouco e bombas de combustível? Pois, não havia, só no dia seguinte, depois de 1:30 numa fila a quase 10 km de casa, pois primeiro pagava-se a dinheiro e só depois se podia abastecer e se quiséssemos gasóleo e gasolina (que era o que todos estavam a fazer) tínhamos de ir duas vezes pagar e só depois abastecer, conseguimos gasolina e gasóleo. De seguida fui até São Jorge e fui carregar os telemóveis (que serviram de lanterna na quarta-feira) na casa-de-banho do Continente... enquanto o marido foi comprar algumas pilhas, pão e chouriços para grelhar.

Entretanto o meu stress era a arca congeladora e o congelador do frigorífico, sem luz há mais de 36 horas valeu-nos o gerador que o meu sogro usa para a apanha da azeitona, que ele nem sabia que podia usar em casa, ficámos com ele umas horas na quinta à noite e sexta de manhã e às 9 fomos montá-lo a casa dele, no sábado à noite voltou para a nossa casa e está lá agora pois o meu sogro já tem luz desde ontem de manhã (outra linha da rede elétrica)

Na sexta voltamos a fazer os mesmos 20 km (ir e vir) que tínhamos feito para ter combustível, para ter rede para o meu filho se poder inscrever nas aulas do segundo semestre. Parece surreal mas a verdade é que continuamos como estávamos há 6 dias, sem luz, sem rede, sem net, nem as notícias conseguimos saber. 

No meio de tudo, felizmente tenho uma placa a gás na cave e uma lareira, entre grelhados na brasa e racionamento de refeições feitas na placa a gás (pois já não há botijas na zona) vamos vivendo (a previsão é haver luz até ao final do mês...mas até lá ...)

Se houve algo que o apagão de há 9 meses ensinou foi: ter dinheiro em casa para uma situação de urgência e ter um fogão a gás...falhámos em não ter um gerador ou uma bateria ligada aos painéis mas são despesas avultadas e têm de ser muito bem pensadas.

O filhote entretanto ontem foi para Coimbra e disse que até 10 km de Coimbra parece o fim do mundo, daí para a frente não se passou nada, tem luz, net, rede, água, gás, tudo tranquilo como noutra semana qualquer. Pelo menos ele está bem e tem tudo para os próximos dias, inclusive mandei comida a mais para se tiver de ficar para a próxima semana (ele tem fogão, frigorífico, micro-ondas, etc) e para além de 8 taças de comida que mandei e das refeições que pode fazer na ESAC, ainda tem cotovelinhos, espirais, esparguete, arroz, latas de pota, atum, salsichas e meia dúzia de ovos para poder fazer mais comida. Fome não passa.

Como foi pelas vossas terras?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Menos um...


Foi desta que o meu último dentinho a nascer, o 15, foi arrancado, em Dezembro ainda se ponderou arranjar mas estava muito frágil e mal tocavam ele partia mais um pouco, assim sexta-feira passei a ter só 25 dentinhos, o normal seria 32 mas a minha dentição veio com defeito e só tive 26 dentes, como já tive de arrancar o 45 e tenho o 85 de leite neste momento tenho 25. Ainda ponderei colocar um implante ou algo assim mas o espaço que ficou é tão pequeno (este dente estava desalinhado por não ter espaço e ter nascido quase no céu da boca).

Quando o 85 decidir ir à sua longa vidinha aí sim terei de colocar algo pois será uma falha de dois dentes seguidos.

E o quanto eu odeio ir ao dentista, traumas com mais de 30 anos que ressurgem de cada vez que ouço a broca ou o malfadado aspirador...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Tempestade Ingrid


Bolas Ingrid, vem lá com calma, já chega de flashes, são 9:30 e estás muito barulhenta... Estar a trabalhar com a ameaça da luz ir abaixo constantemente é dose... ai que bem se deve estar em casa...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Generali / Ageas

Está difícil chegar a um acordo, ou melhor, a minha companhia (Ageas) aceitou o valor que o perito da Generali disse que pagaria mas eu não concordei em ser naquela oficina porque a parte que me calhava a pagar (devido ao segundo acidente) ficava mais cara 800€ que noutra oficina. 

Pedi para reverem o valor e ainda acrescentaram mais 400€ de IVA quando no valor anterior já tinham considerado o IVA e houve peças que passaram de 110€ para 350€...enfim... uma oficina para esquecer mas era uma das recomendadas pela Ageas... (com vistorias do perito online e presencial, já estávamos em Janeiro)...

Avisei logo a minha companhia de que não ia reparar lá e que queria receber o valor acordado e mandar reparar onde eu quisesse, sim, podemos fazer isso, mas houve logo entraves por parte de gestores e afins... já passaram mais de 15 dias (1 mês e meio desde o acidente) e o carro por arranjar... 

Estou de dois em dois dias a pressionar a companhia de seguros e a resposta é " Estou a aguardar novidades. Amanhã ligo para a nossa Gestora da Ageas para nos dar mais uma ajuda. Cumprimentos,"... cansadinha desta treta toda... se não tivesse havido o segundo acidente 6 dias depois do primeiro teria sido tudo mais fácil mas não se consegue mandar na vida....

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Sol por onde andas?

Faz-me falta a presença do sol. Do calor, nem tanto — que disso já sabemos que em excesso também cansa — mas do sol, sim. Daquela luz que nos entra pelos olhos e parece alinhar-nos o humor sem pedir licença. Ou será só impressão minha que, quando o sol aparece, andamos todos um pouco mais felizes?

Os dias cinzentos têm este dom estranho de nos tornar mais lentos por dentro. Acordamos, espreitamos pela janela e, se vemos nuvens carregadas, parece que o corpo suspira antes mesmo de começar o dia. O guarda-chuva passa a extensão natural do braço e a escolha da roupa deixa de ser estética para ser estratégica. É o eterno “abre chapéu, fecha chapéu”, num jogo quase irónico com o céu, que ameaça mas nem sempre cumpre — ou cumpre quando menos esperamos.

Não podia a chuva cair só de noite? Enquanto dormimos, embalada, a lavar as ruas, as árvores e as preocupações do dia anterior. De manhã, acordávamos com o cheiro a terra molhada, o ar limpo e o sol a espreitar, como quem diz: “pronto, já tratei de tudo”. Mas não. A chuva gosta de nos acompanhar nas horas de ponta, nos passeios apressados, nas deslocações inevitáveis.

E depois há a calçada portuguesa. Tão bonita nas fotografias, tão identitária, tão nossa. Um verdadeiro cartão de visita para quem vem de fora. Mas quem tem de andar nela à chuva sabe que aquela beleza cobra o seu preço. Basta acelerar um pouco o passo, distraímo-nos por um segundo, e lá está o perigo iminente: escorregar e estatelar-se de forma pouco elegante, perante olhares solidários… ou disfarçadamente divertidos.

Caminhar à chuva passa a ser um exercício de concentração. Olhos no chão, passos calculados, corpo ligeiramente tenso. Não é só chegar ao destino; é chegar inteiro. Talvez por isso, quando o sol aparece, mesmo no inverno, sentimos um alívio coletivo. As pessoas caminham mais depressa, mas com leveza. As esplanadas enchem-se, os sorrisos surgem com mais facilidade e até a calçada parece menos traiçoeira.

O sol tem este efeito quase mágico: não resolve problemas, mas torna-os mais suportáveis. Não muda a vida, mas muda a forma como a encaramos. Com sol, o café sabe melhor, a conversa flui, e até o trânsito parece menos caótico. É como se a luz nos lembrasse que há sempre uma pausa possível, um intervalo entre as nuvens.

Talvez não seja só impressão minha. Talvez sejamos mesmo criaturas solares, dependentes dessa claridade para equilibrar o humor e a esperança. E enquanto o sol não decide ficar, vamos continuando neste ritual de abrir e fechar chapéus, de caminhar com cuidado e de suspirar sempre que o céu ameaça mais uma vez.

Mas quando ele voltar — porque volta sempre — prometo reparar melhor. Parar um pouco, levantar o rosto e agradecer. Nem que seja só por nos permitir andar na calçada portuguesa sem medo de escorregar. ☀️

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

“Soube ontem que partiste…”

Quando recebo notícias inesperadas, que me fazem ficar a tremer, tenho-me socorrido do ChatGPT e o conselho foi: " escrever uma carta em que dissesse:

  • O que ele significou

  • O que ficou por dizer

  • Um agradecimento simples

No fim: “Levo-te comigo, mas deixo-te partir.” - Guarda a carta ou rasga-a - ambos são válidos. "

 

... mas, ao tentar fazê-lo ainda choro mais, ainda dói mais, até um dia meu Amigo N.

“Que estejas em paz. Eu lembro-me de ti.”

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Dia de Reis

Hoje é o dia da minha família materna 👑

Hoje celebro a minha família materna. Uma família que não tem castelos, coroas de ouro ou tronos, mas que carrega algo muito mais valioso: histórias, laços fortes e um amor que passa de geração em geração.

Somos todos Reis sem castelo — e isso diz muito sobre nós. Reinamos nas conversas à mesa, nas gargalhadas que surgem do nada, nas memórias partilhadas e na forma como estamos presentes uns para os outros, mesmo quando a vida complica. O nosso reino não tem muralhas, mas tem braços abertos.

Cada um governa à sua maneira: com carinho, com teimosia, com humor, com silêncio ou com conselhos que ficam para sempre. Não somos perfeitos, mas somos reais. E talvez seja isso que nos torna uma verdadeira realeza.

Hoje é um dia para agradecer as raízes, honrar quem veio antes de nós e valorizar quem caminha ao nosso lado. Um brinde à minha família materna — Reis e Rainhas do quotidiano, sem castelo, mas com um coração enorme 💛


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Frases ancestrais

Na minha terra havia o hábito de a 2 de Janeiro haver este diálogo sempre que alguém se cruzasse com outra pessoa:

- " Hoje vais a São Jorge?"

- "Fazer o quê?"

- "Ver o homem com tantas pernas como de dias tem o ano..."

ou então a 4 de Janeiro a frase variava para " Ver o burro com tantas patas como de dias tem o ano"

Actualmente já quase ninguém diz isto mas na minha memória permanecem estas frases como lembrança de um outro tempo em que tudo era muito mais simples.