Há duas formas de olhar para um aniversário. A versão otimista — fiz mais um ano. A versão filosófica (ou ligeiramente dramática, dependendo do nível de café ingerido) — tenho menos um ano de vida. E todos os anos, sem falhar, fico ali no meio, sem saber se sopro as velas em celebração… ou em contagem decrescente.
Porque, convenhamos, o aniversário é o único evento em que as pessoas nos dão os parabéns por estarmos oficialmente mais velhos. Ninguém diz: “Parabéns, estás mais perto da reforma!” — embora, em certos dias de trabalho, isso até soasse motivador.
Quando somos crianças, é claramente mais um. Mais um ano significa crescer, ganhar independência, chegar mais perto de poder fazer coisas incríveis como ver televisão até tarde ou escolher o próprio jantar (erro clássico: cereais às 22h).
Depois vem a fase adulta, em que o aniversário passa a ser um exercício matemático estranho:
Ainda sou nova para certas coisas.
Já sou velha para outras.
E continuo sem perceber em que categoria fico afinal.
É aqui que nasce a dúvida existencial: fiz mais um ano… ou perdi um?
Se pensarmos bem, cada aniversário é simultaneamente as duas coisas. É mais um capítulo escrito e menos páginas por escrever. Parece profundo, mas na prática traduz-se em algo simples: agora demoro mais tempo a recuperar de uma noite mal dormida e começo a achar piadas às promoções do supermercado.
Mas há uma vantagem inesperada em acumular anos: começamos a relativizar tudo. Pequenos dramas deixam de ser tragédias gregas e passam a ser apenas… terça-feira. Aprende-se que nem tudo precisa de resposta imediata, que algumas preocupações resolvem-se sozinhas e que a paz vale muito mais do que ter razão.
Por isso, talvez a pergunta esteja mal formulada.
Não é “mais um ou menos um?”.
É mais experiência e menos pressa.
Mais histórias e menos ansiedade.
Mais consciência do que importa e menos paciência para o que não importa nada.
No fundo, o aniversário não é uma contagem para trás nem apenas uma soma para a frente. É uma espécie de balanço anual obrigatório — como aquelas reuniões que ninguém marca, mas a vida insiste em fazer.
E enquanto houver bolo (ou pelo menos algo doce que finja ser saudável), mensagens inesperadas e um momento para rir de nós próprios, talvez a resposta seja simples:
Sim, é mais um.
E ainda bem.
Parabéns para mim que ontem fiz mais um.
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