terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Mais um ou menos um?

Há duas formas de olhar para um aniversário. A versão otimista — fiz mais um ano. A versão filosófica (ou ligeiramente dramática, dependendo do nível de café ingerido) — tenho menos um ano de vida. E todos os anos, sem falhar, fico ali no meio, sem saber se sopro as velas em celebração… ou em contagem decrescente.

Porque, convenhamos, o aniversário é o único evento em que as pessoas nos dão os parabéns por estarmos oficialmente mais velhos. Ninguém diz: “Parabéns, estás mais perto da reforma!” — embora, em certos dias de trabalho, isso até soasse motivador.

Quando somos crianças, é claramente mais um. Mais um ano significa crescer, ganhar independência, chegar mais perto de poder fazer coisas incríveis como ver televisão até tarde ou escolher o próprio jantar (erro clássico: cereais às 22h).

Depois vem a fase adulta, em que o aniversário passa a ser um exercício matemático estranho:

Ainda sou nova para certas coisas.

Já sou velha para outras.

E continuo sem perceber em que categoria fico afinal.

É aqui que nasce a dúvida existencial: fiz mais um ano… ou perdi um?

Se pensarmos bem, cada aniversário é simultaneamente as duas coisas. É mais um capítulo escrito e menos páginas por escrever. Parece profundo, mas na prática traduz-se em algo simples: agora demoro mais tempo a recuperar de uma noite mal dormida e começo a achar piadas às promoções do supermercado.

Mas há uma vantagem inesperada em acumular anos: começamos a relativizar tudo. Pequenos dramas deixam de ser tragédias gregas e passam a ser apenas… terça-feira. Aprende-se que nem tudo precisa de resposta imediata, que algumas preocupações resolvem-se sozinhas e que a paz vale muito mais do que ter razão.

Por isso, talvez a pergunta esteja mal formulada.

Não é “mais um ou menos um?”.

É mais experiência e menos pressa.

Mais histórias e menos ansiedade.

Mais consciência do que importa e menos paciência para o que não importa nada.

No fundo, o aniversário não é uma contagem para trás nem apenas uma soma para a frente. É uma espécie de balanço anual obrigatório — como aquelas reuniões que ninguém marca, mas a vida insiste em fazer.

E enquanto houver bolo (ou pelo menos algo doce que finja ser saudável), mensagens inesperadas e um momento para rir de nós próprios, talvez a resposta seja simples:

Sim, é mais um.

E ainda bem.

Parabéns para mim que ontem fiz mais um.

5 comentários:

  1. E menos jovem, como dizem por aqui *,~`))))))
    Parabéns, e que o momento seja bom pra vocês
    e que tudo vá bem. Beijinhos.
    Um exposto que dá gosto ler.

    ResponderEliminar
  2. Gosto tanto destes tetos que a Marisa faz... parece que estou a ler um livro, envolve.
    Muitos parabéns, que a vida lhe dê a paz que precisa, para irmos sentido sempre a mesma alegria que essa de comer os cereais às 22h... Que valha sempre a pena.

    Um beijinho

    ResponderEliminar
  3. Antes de mais... Parabéns atrasados! :)

    Que tenha sido um dia muito feliz.

    Depois, gostei do texto. São realmente maneiras de pensar. Eu não penso em mais nem em menos, para já. Penso que é uma comemoração por estar viva. Estou viva, ou estive viva, mais um ano. E isso, para mim, é motivo mais que preciso celebrar :)

    Cláudia - eutambemtenhoumblog

    ResponderEliminar
  4. Antes de mais parabéns! É sempre bom fazer anos, sinal que andamos por cá.
    Daqui a uma semana sou eu (vai começar o mês dos bolos, com aniversários todas as semanas).
    Até há pouco tempo diria que era menos um e que faltam X anos para a reforma (só que o X é um péssimo referencial, está sempre a aumentar).
    A idade mostrou-me que o importante é estar cá e ficar o tempo suficiente para ver a minha bebé ganhar asas.
    Beijinhos,
    SM

    ResponderEliminar
  5. Parabéns!! sempre!
    Gosto de acreditar que somamos experiencia e vivências!
    Penso em quem perdi cedo demais e que não teve privilegio de fazer tanto na vida.mantenho essa a minha forma de festejar..

    bj

    ResponderEliminar