15 dias. Foi quanto durou o sonho. Quinze dias sem despertador, sem reuniões, sem emails com “urgente” no assunto e, sobretudo, sem aquela sensação maravilhosa de que temos 47 coisas para fazer ao mesmo tempo.
O regresso ao trabalho: tecnicamente voltámos. Emocionalmente, ainda estamos na praia.O primeiro impacto: onde está a minha mesa?
Chegamos ao escritório descansados, bronzeados e com aquela ilusão ingénua de que, durante a nossa ausência, o mundo continuou a girar normalmente.
Até abrirmos a porta.
Não há um centímetro de mesa livre.
Documentos, pastas, envelopes, dossiers, impressões, notas, pedidos, recados e coisas que nem sequer sabemos para que servem ocupam cada pedaço disponível da secretária.
Por alguns segundos, ficamos simplesmente a olhar.
“Isto tudo é para mim?”
A resposta, infelizmente, costuma ser um silencioso e assustador sim.
E começa o bombardeamento
Mal conseguimos pousar a mala, somos bombardeados.
“Quando puderes, vê isto.”
“Precisamos disto com alguma urgência.”
“Já agora, tens aquele assunto pendente?”
“Há uns emails que precisas de responder.”
“E isto ficou para trás enquanto estiveste fora.”
Enquanto tentamos perceber por onde começar, aparece mais uma tarefa. E depois outra. E outra.
É como se os 15 dias de férias tivessem criado uma dívida laboral que agora temos de pagar com juros.
O cérebro ainda está de férias
O problema é que o nosso corpo pode estar sentado à secretária, mas a cabeça ainda está algures entre o pequeno-almoço tardio, a praia, a piscina e aquele almoço sem pressa que demorou duas horas.
O computador liga. O telefone toca. As notificações aparecem. O email começa a encher-se.
E nós pensamos:
“Se calhar foi um erro voltar.”
Aliás, há um momento particularmente perigoso: aquele em que olhamos para a porta e pensamos seriamente se ainda vamos a tempo de sair discretamente e voltar para casa.
A vontade de ir embora é real
Depois de 15 dias de férias, regressar diretamente para uma secretária coberta de trabalho pode ser um pequeno choque cultural.
Passámos de “Hoje vamos fazer o que nos apetecer” para “Preciso disto para ontem” em menos de 24 horas.
E é perfeitamente normal que, perante uma montanha de tarefas, a primeira reação seja:
“Apetece-me ir embora e não voltar.”
Não é falta de vontade. É o nosso cérebro a tentar processar a brutal diferença entre o ritmo das férias e o ritmo do trabalho.
Mas há uma estratégia: uma coisa de cada vez
Apesar do caos, existe uma forma de tornar o regresso um pouco menos doloroso.
Em vez de tentar resolver tudo no primeiro dia, convém respirar fundo, organizar a papelada, identificar o que é realmente urgente e começar por uma tarefa de cada vez.
Os documentos não vão desaparecer todos sozinhos. Os emails também não. E, por muito que pareça impossível, aquela secretária vai voltar a ter espaço.
Talvez não hoje.
Talvez não amanhã.
Mas um dia.
Conclusão: férias outra vez, por favor
O regresso ao trabalho depois de 15 dias de férias é uma experiência que mistura saudade, confusão, excesso de tarefas e uma vontade quase imediata de voltar a fazer a mala.
Chegamos descansados e encontramos uma secretária irreconhecível, uma lista interminável de assuntos e uma caixa de entrada que parece ter crescido durante a nossa ausência.
Mas há uma consolação: sobrevivemos ao primeiro dia.
E, quando finalmente conseguimos limpar um pequeno canto da secretária, podemos respirar fundo e pensar:
“Pronto. Agora só faltam os outros 96%.” e 15 dias depois ainda há muitos centimetros da secretária ocupados
Até às próximas férias.
