sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Apanhar a azeitona ou comprar azeite? As contas que também fazem parte da poupança!

Apanhar a azeitona também tem destas coisas!

E, claro, quando as oliveiras ficam longe de casa, há que levar o farnel preparado!

Por aqui, são muitas vezes as chamadas «comidas enxutas»: umas sandes de bifes de peru, ovos cozidos, pastéis de bacalhau e outras coisas que se comam facilmente, sem grandes preparativos. Porque, nestes dias, não há propriamente hora de almoço, lanche ou jantar. Come-se quando se acaba de apanhar uma oliveira e antes de mudar os panos para a seguinte!

A maioria das nossas oliveiras fica a mais de 30 km de casa, o que significa cerca de 70 km de deslocações por dia, durante pelo menos três dias. No ano passado, acabei por gastar uma semana das minhas férias nesta tarefa.

E, como se não bastasse o trabalho de apanhar a azeitona, há sempre que conciliar tudo com a vida profissional. Para mim, a altura da apanha coincide com uma fase particularmente complicada na Associação, por causa dos preparativos do aniversário. Este ano, com a comemoração dos 50 anos da ARICOP, o trabalho ainda é maior!

Mas a agricultura também é feita destas coisas: trabalho, alguma ginástica para conseguir conciliar tudo e, pelo meio, uma sandes comida à pressa, sentados onde calha, antes de voltar ao trabalho.

Este ano, a produção está bastante mais fraca. No ano passado, tínhamos limpado as oliveiras e, por isso, já esperávamos que este ano a colheita fosse menor. Agora, fica a esperança de que o próximo ano seja melhor.

E ainda bem que, no ano passado, optei por pagar a maquia e trazer todo o azeite para casa! Com a pouca azeitona que temos este ano, sabe ainda melhor ter aquela reserva de azeite do ano passado.

É também por isso que vale a pena fazer contas de um ano para o outro: a produção varia, os custos mantêm-se ou aumentam, e aquilo que parece compensar num ano pode não ser tão vantajoso no seguinte.

No fim, entre os panos estendidos, as oliveiras por acabar e o farnel que vai desaparecendo, percebemos que o nosso azeite não se mede apenas em litros ou euros. Mede-se também em horas de trabalho, quilómetros percorridos, férias gastas e na satisfação de ter em casa algo que ajudámos a produzir.

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